É preciso mobilização
A saída individual coloca o trabalhador nas maõs dos patrões
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Arquivo DCO. |

O portal da Federação Única dos Petroleiros (FUP) publicou na última quarta-feira, dia 25, um artigo esclarecendo os trabalhadores sobre o direita à recusa ao trabalho caso estes sintam ameaçada sua segurança ou caso os patrões não forneçam equipamentos que preservem a saúde do trabalhador.

Sem dúvida o debate é importante em tempos de pandemia com o coronavírus e que muitas categorias de trabalhadores não podem se dar ao luxo de ficar em casa. O trabalhador, de acordo com a lei trabalhista, tem o direito de se recusar a trabalhar caso a sua saúde esteja ameaçada.

Nos Correios também há um debate em torno dessa questão. Depois de adiar por quatro vezes apenas nesse ano a greve da categoria, os sindicalistas agora aconselham os trabalhadores a não trabalharem caso o setor de trabalho não conte com os equipamentos de segurança e saúde necessários. Ou seja, os sindicalistas trocaram a mobilização coletiva da categoria por ações individuais ou pontuais.

Sobre isso, é preciso levantar um debate fundamental para o desenvolvimento da situação política. Em primeiro lugar, qualquer pessoa com o mínimo de experiência no movimento sindical sabe que a ação individual do trabalhador é muito mais difícil de ser realizada, por motivos óbvios. Por mais razão e direito que tenha, o trabalhador individual está submetido à intensa pressão dentro do setor de trabalho. Orientar o trabalhador sobre o seu direito, tudo bem, mas esperar que a maioria deles, de maneira individual, enfrente o chefe, é absurdo.

Em segundo lugar, caso o trabalhador seja decidido e resolva não trabalhar, o patrão tem muitas outras opções para substituí-lo. Ele continuará colocando a vida de outro trabalhador em risco.

É por isso que surgiram os sindicatos e os movimentos grevistas. Os trabalhadores entenderam que as suas reivindicações só eram atendidas quando se organizavam de maneira coletiva.

É um fundamento básico do sindicalismo, mas dá a impressão que boa parte da esquerda e dos sindicalistas estão contaminados pelo confinamento: é muito tempo isolado.

Para que os trabalhadores enfrentem as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos é preciso organizar um movimento. É preciso uma mobilização da categoria que se for preciso pare completamente as atividades, ou seja, entre em greve. A saúde do trabalhador não pode estar em risco sob nenhum pretexto.

É por isso que as categorias precisam entrar em greve para garantir a sua vida diante da pandemia. Os sindicalistas das categorias que estão sendo obrigadas a trabalhar precisam sair de casa e fazer o seu trabalho, que é lutar pelas reivindicações de sua base.

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