Genocídio
Os filhos indígenas do Mato Grosso do Sul são arrancados de suas mães na medida em que o governo fascista as empobrece
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Três irmãos com seu vizinho em Ñu Vera, o mais novo foi tirado de sua família. Foto: Flávio Forner |

O programa político da burguesia só possui a intenção de lucrar a custo da vida e da exploração de toda a população. O genocídio dos povos indígenas é um problema histórico, que não será barrado sem uma luta real para derrubar essa ditadura sanguinária dos capitalistas.

Élida de Oliveira é membro do grupo indígena kaiowá. No nascimento de seu 7° filho foi abandonada pelo pai da criança. Ela mora na área reivindicada no estado de Mato Grosso do Sul, conhecida como Ñu Vera. Lá, não há encanamento de água nem eletricidade, difíceis condições de trabalho e com o solo seco não é possível plantar os alimentos para a sobrevivência. Sua casa é feita com pedaços de madeira, plásticos e lonas,  e recebendo apenas uma cesta básica da Funai, se esforça para cuidar de seus filhos e levá-los a escola sem perder sua tradição.

Em 2015, seu sétimo filho foi arrancado de seus braços a força, enquanto acusavam-na de negligente, e não é nem o primeiro nem o último caso dessa recorrência na região. O conselho tutelar chegou a ter a audácia de mentir que ela não era sua mãe. Assim, a direita utiliza tais conselhos para atacar os indígenas, em vez de o governo, com o excessivo dinheiro dos impostos, dar condições para que essas mães possam cuidar de si e de suas crianças, retiram-as argumentando que elas precisam viver a medíocre vida de um operário comum. É um crime contra as mães trabalhadoras, que não podem pedir ajuda aos conselhos e muito menos as prefeituras, senão, elas perdem seus filhos por serem pobres e exploradas.

No caso de Oliveira, uma organização independente a ajudou, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) criou uma rede de apoio a ela e conseguiu fazer com que ela soubesse de seu filho. Mesmo assim, foi acusada de tê-lo abandonado e não pode mais vê-lo.

Especialmente depois do golpe de 2016 e agora com o governo bolsonarista, o estado não gasta um tostão com a comunidade indígena e quer cada vez esmagá-la com mais força. No fim do ano passado cancelaram a ajuda às famílias indígenas fora de territórios indígenas oficialmente reconhecidos, dessa forma Élida perdeu sua única fonte de alimentação. A falta de ajuda não é só a fome, como relata Oliveira, é uma desculpa para extirpar seus filhos. Aproveitando-se da pobreza causada pela direita no Mato Grosso Sul nas terras de indígenas ou de ocupações, são muitos os casos em que se colocam os órgãos estatais para persegui-los, em vez de ajudá-los.

Para a burguesia é uma ajuda dupla, que facilita a exploração e impede uma organização de luta, condenando essas famílias a miséria e a tristeza. Na cidade de Dourados, bem próxima de Ñu Vera, 10% da população é indígena, mas sobre a tutela do estado, as crianças indígenas representam 70%, sendo que 62% foram levadas devido a negligência, ou seja, a pobreza, mesmo com o decreto federal contrariando: “a falta ou necessidade de recursos materiais não é motivo suficiente para a perda ou suspensão dos direitos da família”.

Isso já deve ocorrer em todo o país, assim como a mulher não pode abortar, não pode criar seu filho com uma tradição diferente da imposta pelo regime capitalista. Essas crianças são encarceradas em lares extremamente precários, onde não tem acesso a sua cultura tradicional e são ensinadas a viverem e se adaptarem ao trabalho para manter o capital. Por isso é necessário lutar pela derrubada do governo burguês, e isso só será possível, com a mobilização e organização popular para arrancar Bolsonaro e todos os Golpistas de suas posições de decisão política.

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