Censura
A mais recente obra estatística da FGV vem demonstrar que a ofensiva da burguesia golpista contra os direitos democráticos do povo tende não só a se manter, mas a se intensificar
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A imprensa e o Judiciário golpistas | Ilustração: Caco Bisol

Segundo levantamento realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e bolsonaristas que são investigados no inquérito do STF sobre as chamadas “fake news” , são os maiores impulsionadores de “notícias falsas” no Twitter sobre a fraude no 1º turno das eleições deste ano.

Divulgado pela coluna Painel, da golpista Folha de S. Paulo, o relatório da FGV aponta que 700 mil publicações sobre o tema foram feitas entre os dias 15 e 26 de novembro. Além do filho do presidente ilegítimo Bolsonaro, são citados na pesquisa outros parlamentares do PSL, como Carla Zambelli (SP), Bia Kicis (DF), Filipe Barros (PR) e Daniel Silveira (RJ), bem como os blogueiros bolsonaristas Leandro Ruschel, Allan dos Santos, Bernardo Küster.

O significado político desse levantamento é mais do que evidente. Ele busca servir de cobertura e estímulo para os ataques que a direita golpista vem há tempos promovendo contra as liberdades democráticas da população sob o pretexto do combate às “fake news“. As medidas de censura por parte do Poder Judiciário, sob a batuta do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram uma significativo incremento desde o golpe de Estado de 2016, e a mais recente obra estatística da FGV vem demonstrar que a ofensiva da burguesia golpista contra a liberdade de expressão e os direitos democráticos do povo tende não só a se manter, mas também a se intensificar.

É preciso deixar claro que o mencionado combate às “fake news” é uma farsa pura e simples. Primeiro porque é levado adiante pelos maiores promotores de mentiras, calúnias, manipulações e fraudes de que se tem notícia: o monopólio da imprensa capitalista, os institutos e universidades controlados pelo imperialismo e o Judiciário constituído por uma burocracia absolutamente antidemocrática, que só presta contas à burguesia e seus partidos, e a mais ninguém.

Tenhamos claro: o jornal Folha de S. Paulo, órgão da burguesia imperialista, defensor e colaborador da ditadura militar de 1964 e um dos principais instrumentos de propaganda do golpe de 2016; a Fundação Getulio Vargas, instituição privada com flagrantes laços com o imperialismo norte-americano; e o STF de Luiz Fux, Alexandre de Moraes & Cia, fundamental para o impeachment farsesco de Dilma Rousseff e a prisão ilegal do ex-presidente Lula, entre outras arbitrariedades, todos esses órgãos e instituições, que supostamente travam uma luta de vida ou morte contra as “fakes news“, não têm o mais remoto interesse no combate às notícias falsas, sendo os maiores responsáveis pelas falsificações e manipulações da realidade.

Basta mencionar, apenas para ficar com os episódios mais recentes da política nacional, as famigeradas pesquisas eleitorais, como aquela do Datafolha do início de outubro último, na qual registrava que o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, possuía 1% das intenções de voto, ficando atrás de figuras como Levy Fidelix (PRTB) e Andrea Matarazzo (PSD), algo absolutamente fantasioso e que não tinha outra intenção senão interferir na disputa eleitoral e pressionar para que o PT abandonasse a sua candidatura própria e apoiasse uma candidato mais palatável à burguesia  ̶  no caso, o candidato psolista Guilherme Boulos.

Em segundo lugar, a implementação da censura através do combate às “fake news“, analisando a questão em perspectiva e à luz da experiência passada, não terá outro resultado que não o ataque contra as organizações de luta dos explorados, contra os partidos de esquerda, contra a imprensa democrática e progressista, contra os instrumentos de agitação e propaganda da classe operária.

O fato de as ações de censura estarem dirigidas inicialmente contra elementos bolsonaristas, de extrema-direita, não altera em nada a essência da questão. A ato de censura do Estado burguês contra elementos fascistas não deixa de ser censura e um ataque contra as liberdades democráticas. Com efeito, essa ação funciona como um perigoso precedente que poderá ser   ̶  e certamente será   ̶  usado contra toda a esquerda de conjunto, assim como contra o restante do povo brasileiro. Dar poder ao Estado para decidir quais ideias, opiniões e pensamentos podem circular ou não, ser expressas ou não, na sociedade é o mesmo que dar poder aos inimigos do povo para decidir o que o povo pode ou não dizer ou expressar.

A atitude da esquerda pequeno-burguesa diante dessas iniciativas antidemocráticas é quase sempre o aplauso e o apoio. Um bolsonarista foi censurado!! Viva!! Ela entende que Fux e Alexandre de Moraes estão combatendo o bolsonarismo, que a demagógica Folha de São Paulo está pondo um fim nas notícias falsas, que a reputada FGV está esclarecendo aquilo que até então estava obscuro. Nada mais distante da realidade.

A esquerda pequeno-burguesa abraça sem hesitação a política de censura estimulada pela direita tradicional e, assim, se mostra incapaz de sustentar uma política independente em relação à ala fundamental da burguesia.  Na luta entre as frações que compõe o bloco golpista, acaba sempre ficando ao lado do setor mais poderoso, aquele que dirigiu todo o processo do golpe de Estado que marca a situação política atual e que se expressa politicamente nos partidos mais tradicionais da direita  (PSDB, DEM e MDB).

É preciso estabelecer com firmeza que o “combate às fake news” é uma política da burguesia, isto é, da direita golpista e de seus monopólios de imprensa. É uma política que, mais cedo ou mais tarde, se voltará contra a esquerda e suas organizações de luta.

Trata-se de uma cobertura para a mais crua censura por parte das forças que buscam consolidar o regime político saído do golpe de Estado de 2016. Frente a isso, a política correta, aquela que está de acordo com a tradição marxista, é a defesa incondicional da liberdade de expressão, da livre manifestação do pensamento, e a denúncia dos esforços arbitrários do Estado burguês contra as liberdades democráticas do povo.

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