Amazonas
Diante do aumento de casos da covid-19, governo do Amazonas acredita que não existe pandemia nas escolas, apenas em espaços de lazer
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Wilson Lima, governador do Amazonas | Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira, 24, o governo do Amazonas voltou a decretar o fechamento de bares, balneários, casas de shows e flutuantes, estabelecimentos situados às margens do rio, na capital Manaus, em razão do aumento de casos da covid-19. De acordo com a Vigilância Epidemiológica do Estado, há uma tendência de aumento no número de contaminações pelo coronavírus nas últimas semanas. Em média, o estado já conta 9 mortes diárias, enquanto que há duas semanas a contagem chegava a 7 falecimentos, representando um aumento de 39% nesse intervalo de duas semanas. Durante os meses de abril e maio, o estado nortista viveu um período altamente crítico na pandemia, com o sistema público de saúde e o serviço funerário sobrecarregados. O decreto estadual tem duração de 30 dias,contando a partir de sexta-feira, dia 25. Esta é a primeira medida proibindo, por questões sanitárias, a abertura de algum estabelecimento comercial na cidade desde que o mesmo foi reaberto em junho. 

Contraditoriamente, o decreto exclui do fechamento obrigatório escolas públicas e particulares, que em agosto tiveram seu funcionamento retomado para alunos do ensino médio e do programa de Educação para Jovens Adultos (EJA) na capital manauense, fazendo do Amazonas o primeiro estado a reabrir as escolas. Além disso, o governo estadual confirmou a retomada das aulas do ensino fundamental na rede pública estadual.

Restaurantes e lojas de conveniência foram autorizados a funcionar até as 22h. Ou seja, para o governo amazonense, o perigo de contaminação pela covid-19 só existe em locais destinados ao lazer e entretenimento. Nos locais de trabalho e estudo, o vírus magicamente não se espalha e não contamina ninguém. E para piorar, o governo fechou ,em junho e julho, os dois hospitais de campanha instalados em Manaus.

Esta política “científica” do executivo amazonense é repetida pelos demais governadores, e também prefeitos, em todo o país. Para a burguesia, patroa dos governantes “científicos”, o trabalhador não pode se divertir, apenas trabalhar. E como no Brasil a burguesia tradicionalmente esfola o couro do trabalhador até os ossos, ela portanto nada faz para combater a pandemia, fazendo somente um jogo de cena com a campanha do “Fique Em Casa” para dar a impressão de que está fazendo algo, fechando apenas setores secundários ou de menor relevância para economia. 

Já é costumeiro dos capitalistas colocar a classe trabalhadora para morar em ambientes insalubres, sem acesso a saneamento básico, trabalhando em troca de um salário baixíssimo. E agora essa classe vampiresca não se presta a fazer coisas como distribuir máscaras, materiais de higiene, fornecer água tratada, testar a população, aumentar o número de leitos hospitalares e lhe dar uma ajuda financeira suficiente para poder ficar em casa sem dificuldades. Pedir para as pessoas apenas ficarem em casa é menos custoso para os bolsos do Estado.

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