Risco de expulsão na pandemia
Prazo judicial para moradores deixarem a área se aproxima e as famílias que vivem no local temem serem expulsas de suas casa mesmo sem ter para onde ir
Wesley Costa
Representantes dos moradores exibem a decisão judicial que expulsa as famílias do local | Foto: Wesley Costa

Moradores alertam que se aproxima o prazo de um ano determinado pela justiça para a saída de 500 famílias do Jardim novo mundo na região próxima ao Córrego Buriti, na cidade de Goiânia. O prazo estipulado em decisão judicial vai até o dia 14 de novembro, segundo a decisão o local em que vivem estas famílias seria impróprio para moradia e a Prefeitura de Goiânia deveria providenciar o deslocamento dos moradores para locais dignos de habitação, no entanto faltando menos de quatro meses para findar o prazo as famílias continuam sem ter para onde ir e correm o sério risco de serem largadas na rua em meio a grave epidemia de coronavírus.

A região está sendo habitada por estas famílias há 6 anos, quando antes havia uma promessa de que a área seria destinada para construção de habitações populares para o povo. A promessa no entanto não se cumpriu e a população que esperava e necessitava de moradia se uniu para ocupar o espaço e construir suas próprias moradias da forma que conseguiram. Durante os anos em que estão vivendo no local os moradores são categóricos em afirmar que todas melhorias feitas na região foram resultado dos esforços dos próprios moradores, que nunca houve nenhuma iniciativa por parte do poder público para promover melhores condições de vida para a comunidade, que por exemplo sofre regularmente com os efeitos das chuvas por falta de uma estrutura que garanta ao local condições para enfrentar os períodos chuvosos.

A decisão judicial que atinge os moradores apenas reconhece que as condições em que vivem os moradores do Jardim novo mundo não são dignas, que a área seria instável, mas não garante que estas condições sejam proporcionadas. Longe disso o judiciário coloca nas mãos da prefeitura cuidar para que os moradores sejam transferidos para outros locais habitáveis, a mesma prefeitura que há seis anos nega a estas pessoas condições dignas de vida e que até agora não tomou as providências para a realização destas transferências.

E não poderia ser diferente uma vez que as péssimas condições de vida em que se encontram os moradores são consequência das políticas adotadas pela própria burguesia e pela direita quando por anos proporcionam que estas pessoas vivam sem instalações adequadas de rede sanitária, esgoto, água, energia elétrica, etc. Da mesma forma não se importam se essas famílias vão morar nas ruas, passar fome ou morrer de coronavírus porque o intuito da burguesia é atender aos seus próprios interesses e não os do povo que explora.

Assim, passado o prazo em 14 de novembro as 500 famílias que vivem no local podem simplesmente ser expulsas de suas casas na força e ter que viver nas ruas ou em casas de parentes, tudo isso enquanto sofrem também com os efeitos cada vez mais devastadores da epidemia e crise econômica do coronavírus. Os próprios moradores do Jardim novo mundo sabem por sua experiência que não devem esperar nada verdadeiramente positivo por parte da burguesia. Por isto devem fazer agora como têm feito em todo o tempo em que moram no local: se organizarem e se mobilizarem em torno dos seus interesses, contra as investidas da direita de expulsá-los de suas casas e exigir que sejam garantidas todas as condições necessárias para viverem com dignidade.

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patrick.luan97.pl@gmail.com
5 dias atrás

Vou denunciar essa fake news aí, blz