Golpe na América Latina
As eleições do Equador estão programadas para o próximo domingo (7). Porém, a direita golpista já articula diversas manobras para impedir a vitória do candidato mais popular

Por: Redação do Diário Causa Operária

No próximo domingo, 7 de fevereiro, ocorrerão as eleições presidenciais no Equador. O principal candidato é Andrés Arauz, da coalizão Unión por la Esperanza (UNES), com 37% das intenções de voto. Arauz é apoiado por Rafael Correa, ex-presidente do país, cujo mandato ficou conhecido pela política nacionalista, com reformas sociais conforme regidas por um programa chamado “Revolução Cidadã”, que deram a Correa um amplo apoio da população equatoriana.

O segundo colocado nas pesquisas é Guillermo Lasso, um homem de negócios, que já foi responsável pelas operações da Coca-Cola no país, e principal candidato da direita tradicional equatoriana, apoiado pelos bancos, instituições financeiras e pelo imperialismo. Ele concorre pelo partido Creando Oportunidades, o qual ele ajudou a fundar.

Lasso já havia sido derrotado nas últimas eleições pelo atual presidente do Equador, Lenín Moreno. Naquele momento, Moreno era lançado como o principal candidato da esquerda, afilhado político de Rafael Correa e representante da continuidade de sua política. No entanto, a vitória de Moreno revelou-se um verdadeiro golpe contra a população equatoriana. Logo que assumiu o governo, o suposto afilhado de Rafael Correa passou a impôr ao povo uma política neoliberal, cancelando todas as reformas sociais de seu predecessor e desmontando tudo que foi realizado em sua gestão. Quando o povo se rebelou contra esse estelionato eleitoral, ele os reprimiu como um verdadeiro fascista, com extrema violência. Sua impopularidade era tanta que ele teve que fugir da capital, Quito, para Guayaquil, principal centro financeiro do Equador, onde ele estava protegido pelos políticos da direita.

Para consolidar a sua política golpista, Moreno ainda realizou uma intensa perseguição política contra seu padrinho político, Rafael Correa, que foi obrigado a se exilar na Bélgica e não pode voltar ao seu país até hoje sob risco de ser preso, manobra feita justamente para impedi-lo de se candidatar nas eleições deste ano. Além disso, ele também condenou e prendeu Jorge Glas, ex-vice-presidente de Correa, que se encontra encarcerado em condições desumanas, tendo chegado ao ponto de fazer greve de fome para protestar contra as condições de sua prisão. O curioso do caso é que o atual candidato da direita, Guillermo Lasso, que havia sido oponente de LenínMoreno nas eleições anteriores, é identificado hoje como o seu principal sucessor.

Diante de todas as arbitrariedades cometidas contra Rafael Correa, ele lançou Andrés Arauz como candidato. Arauz, no entanto, tem importantes diferenças com relação a Correa. Ele representa uma política mais direitista do que a de Correa. Sua origem política é na burocracia e nos gabinetes, e ele tem posições políticas mais equivalentes a Fernando Haddad no Brasil. Ele se encontra em primeiro lugar nas pesquisas por conta do apoio que ele tem de Rafael Correa e também pelo repúdio que a população tem pela direita e pelo atual presidente, Lenín Moreno.

Mesmo ele sendo bem mais direitista e palatável para a burguesia, Arauz sofre com a possibilidade do cancelamento de sua candidatura agora, faltando menos de uma semana para as eleições. A denúncia é de Mauro Andino, um analista político equatoriano.

Sobre o processo eleitoral de um modo geral, Mauro Andino diz o seguinte:

“Estamos presenciando um processo eleitoral com profundas irregularidades, estamos vendo tentativas de eliminar as organizações políticas, mudar a data e o horário das eleições presidenciais”

Ele também relata que há uma acusação juridicamente infundada contra Arauz, apresentada pelo conselheiro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Luis Verdesoto, e cujo objetivo é anular a candidatura do candidato da UNES. Ele afirma que “O conselheiro apresenta denúncia e usa fotos do Twitter como referência sem um exame para determinar a validade dessas fotos”. Ou seja, é um processo-farsa, ao estilo do que é feito em todos os locais em que se procura manipular o resultado das eleições. Ainda que não dê tempo das autoridades suspenderem as eleições, o analista adicionou que, caso Arauz ganhe, poderia-se abrir o processo sobre a denúncia e declarar uma sentença que suspendam seus direitos políticos e o impeçam de assumir o mandato.

Além disso, há também a questão das cédulas eleitorais. Em meados de janeiro, o CNE informou sobre o andamento da impressão das cédulas. Haviam sido impressas apenas 6.244.000 unidades, que correspondem a pouco mais de 47% do total. Além disso, houve denúncias por parte do também candidato Pedro José Freites, de que havia erros na cédula. Segundo ele, estava impresso a logomarca errada ao lado do seu nome. A partir daí, todas essas cédulas serão destruídas e a impressão terá que recomeçar do zero, o que pode, inclusive, levar a um adiamento das eleições. Isso pode ser uma manobra para a burguesia ganhar tempo e impulsionar a candidatura de Lasso.

É preciso denunciar as ações da direita, que age de forma totalmente criminosa em todos os locais, procurando sempre impedir que a vontade popular prevaleça. Os golpistas agem de forma semelhante em todos os países, particularmente na América Latina, que foi golpeada de cima a baixo sob o apoio do imperialismo, principal responsável por todos os golpes de estado do mundo.

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