Presos políticos
Os latifundiários do Pará, através da polícia do estado, prenderam três importantes integrantes do MST de maneira ilegal para favorecer a grilagem de terras
Governo recebe representantes do MST 
Sede da Terracap, Brasília, DF, Brasil, 5/3/2015  
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) receberam a garantia de que o governo do Distrito Federal acompanhará de perto demandas do grupo, que se concentrou na entrada do prédio da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) na tarde de hoje (5).

Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília
A direita está avançando sobre os movimentos de luta pela terra | Imagem: reprodução

Neste momento três companheiros do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) do estado do Pará estão presos em decorrência da organização da luta pela terra. No dia 09 de junho policiais militares do Delegacia de Conflitos Agrários (DECA), Manoel de Souza, da Direção Estadual do MST no Pará, Eliana Tavares e Marcos Ferreira, acampados nos acampamentos Helenira Rezende e Hugo Chávez, foram presos do Sudeste paraense.

A direita no Pará está se aproveitando da situação de ofensiva e ataques aos trabalhadores e de aumento da grilagem de terras para perseguir politicamente integrantes do MST. A melhor maneira de fazer isso seria “encontrar” um crime para tentar colocar a opinião pública contra o movimento e intimidar as pessoas para que não haja defesa ou uma defesa moderada dos sem-terra presos.

As prisões são absurdas porque foram realizadas com base em acusações de envolvimento no homicídio de um acampado em 2018, durante a reocupação da Fazenda Cedro, ligada ao grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, num período de extremo conflito.

Inclusive a denúncia de assassinato foi realizada pelos próprios acampados e está sendo utilizada para perseguir os próprios integrantes do MST no estado. Fato que fica evidencia a prisão política contra o MST e, em especial a Manoel de Souza, importante e conhecida liderança na luta pela terra na região.

A DECA é um instrumento dos latifundiários

Os três trabalhadores sem-terra do MST foram presos por policiais da DECA e precisamos esclarecer em primeiro lugar que é a Delegacia de Conflitos Agrários (DECA). A DECA foi criada pela secretaria de segurança pública do Pará (SEGUP) para cuidar de conflitos fundiários e formada por uma seleção de policiais civil e militares da região.

Não é difícil de explicar o envolvimento dos policiais com os latifundiários e a burguesia do Pará para atuar contra os trabalhadores sem-terra e a formação de grupos de pistoleiros nas áreas de conflito e grilagem de terras públicas, muito comum no Pará.

Mas precisamos lembrar que recentemente a DECA foi responsável por um dos maiores massacres em conflitos agrários do País recentemente, sendo configurada como a segunda maior chacina de sem-terra: o Massacre de Pau d`Arco.

Em 24 de maio de 2017, ocorreu no Pará o assassinato de dez trabalhadores rurais sem-terra durante operações policiais, na Fazenda Santa Lúcia, ocupada no dia anterior por famílias camponesas no município de Pau d`Arco. Essa operação de assassinato foi organizada dentro da DECA e 15 policiais foram presos pela chacina.

Os três integrantes do MST são presos políticos

A prisão dos três integrantes do MST deve ser denunciada como prisões políticas porque são militantes da luta pela terra e que está nesse momento denunciando os latifundiários e a grilagem de terras públicas no estado.

As acusações não possuem nenhuma prova e sequer suspeita dos trabalhadores sem-terra presos. Tanto é assim que as entidades que estão apoiando os presos políticos denunciam que a Juíza Renata Milhomem, da Comarca de Marabá, está enrolando e trata com morosidade o pedido de Habeas Corpus.

Os latifundiários e a extrema direita do Pará, através dos policiais da DECA, estão querendo acabar com a luta pela terra no estado e esconder os latifúndios e a grilagem de terras públicas. É preciso lutar pela liberdade imediata dos companheiros presos.

Liberdade para os presos políticos da luta pela terra!

Liberdade para Manoel de Souza, Eliana Tavares e Marcos Ferreira

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