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Nas últimas semanas, a direita golpista vem atacando o Partido dos Trabalhadores, de modo a provocar a cizânia, ao cortejar o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) para uma possível chapa com Ciro Gomes (PDT-CE)

Haddad leciona no Departamento de Ciência Política na USP e sempre pecou pelo tom professoral e algo empolado de sua verve. Quando de sua indicação para a candidatura à prefeitura em 2012 – após sua passagem pelo Ministério da Educação –, o próprio Lula justificava a escolha para a disputa: “ali, tem de ter cara de tucano e ser da USP”.

De fato, o meio acadêmico manteve Haddad sempre próximo de ninguém menos que Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), a quem convidava para almoçar na prefeitura e para ir ao Teatro Municipal já durante a campanha dos tucanos pelo impeachment de Dilma. A visão de País expressa por Haddad no texto em que relatou tais encontros mostra ainda uma profunda crença colonizada sobre um suposto patrimonialismo próprio da cultura brasileira, que justificaria o atraso material do País: como se a nação mais patrimonialista do mundo não fosse justamente os Estados Unidos, e como se a miséria brasileira não fosse resultado da dominação do grande capital internacional (principalmente norte-americano) sobre os assuntos internos.

No último dia 20, Ciro Gomes convidou Haddad para um jantar, com direito a fotos de estúdio do pedetista na Folha de S. Paulo e ampla repercussão na imprensa golpista. Não resta dúvida sobre o caráter reacionário da candidatura de Ciro Gomes – ex-Arena, ex-PSDB, afilhado político de Tasso Jereissati e ex-funcionário do empresário golpista Benjamin Steinbruch. Ciro vem atacando Lula e o PT repetidas vezes e chegou mesmo a apoiar a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Nos últimos dias, a investida veio do próprio FHC – um dos mentores do golpe de estado em curso – que jantou com Haddad e declarou à imprensa: “Se não fosse do PT, com aquela turma toda, seria um excelente candidato”. Era tanto uma alfinetada em seu desafeto, o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB-SP), quanto uma maneira de acirrar as disputas internas do PT, que estão tão polarizadas quando as do restante do País. A manobra é tão evidente que a ultradireitista revista Veja publicou na terça (27), uma matéria com seu pequeno empurrão em Haddad: “Lula e FHC concordam sobre Haddad: tinha tudo para ser tucano”.

O cortejo da direita a Haddad mostra as contradições internas do PT: se de fato o professor tem hábitos típicos da pequena-burguesia e da esquerda universitária, por outro lado foi, em nome do Partido dos Trabalhadores, prefeito da maior cidade do país. Como toda liderança do PT, Haddad é pressionável pela base do partido, a maior agremiação política de trabalhadores da América Latina.

Em outro partido, Haddad perderia o apoio da imensa maioria dessa base. Trata-se portanto da pressão da direita pela constituição de um plano B para o PT no plano eleitoral, com uma chapa Ciro-Haddad, em que o partido seria minoritário e totalmente carente de expressão política. Nesse cenário, arquitetado pelos golpistas, Lula seria preso e entregue aos leões da operação lava-jato, o PT desistiria de lutar contra sua prisão e se submeteria a um papel secundário numa chapa de direita com ares centristas.

Logo, na verdade, não há um plano B para o PT. Se o Partido ceder a essa pressão da direita, enterrará a si mesmo e às suas próprias lideranças: as próximas a serem perseguidas pelas operações imperialistas da Polícia Federal e do judiciário – incluindo o próprio Haddad, que já foi indiciado pela Polícia Federal em janeiro.

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