Políticas que matam
Não vai ser a prisão e o afastamento dos burocratas amazonenses, que foram vacinados irregularmente, que resolverá o sofrimento e o caos instaurado no estado

Por: Redação do Diário Causa Operária

O Estado do Amazonas enfrenta uma situação calamitosa imposta pelo poder público, expresso pela direita golpista bolsonarista, que junto com a burguesia, nada fez para combater a pandemia. O caos no sistema de saúde amazonense, por causa da Covid-19 e de anos de política neoliberal, colocou o estado como recordista no número de internações e mortes do novo coronavírus. Logo nos primeiros meses da pandemia o sistema funerário entrou em colapso. Depois das políticas desastrosas de abertura do comércio, escolas e fechamento dos hospitais de companha, rapidamente veio a segunda onda.

No começo de 2021, a falta de UTIs, que só existe na capital e de políticas de transporte de pacientes agravaram a situação. A falta de oxigênio nos hospitais, levou a morte de pelo menos 30 pessoas, nas unidades de saúde pela falta do gás. Na quinta-feira (21), sessenta e três pessoas foram presas pela Polícia por estarem assistindo jogo do campeonato brasileiro em cinco bares que estavam funcionando no bairro Jorge Teixeira, na zona leste de Manaus. Para “ajudar” na situação do aumento do contágio, o governo local intensificou a repressão restringindo o ir e vir da população mediante prisão por desobediência, como determina o Decreto 43.315, publicado na segunda-feira (25).

Na semana passada, enquanto a população do estado do Amazonas morria nos hospitais sucateados, os burgueses, burocratas furam a fila da vacina. A vacinação no estado começou em 18 de janeiro (na capital) e 19 de janeiro (no interior). Logo na quinta (21) a vacinação foi suspensa em Manaus e só foi retomada na noite de sexta (22), por conta de denúncias de “fura-fila”. Depois isso, Justiça Federal do Amazonas obrigou a prefeitura da capital a divulgar diariamente a lista de vacinados. No interior do estado, a lista de vacinados também começou a ser disponibilizada pelo Tribunal de Contas, com base nas informações das prefeituras.

Então, o Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE) entrou com pedido de prisão, afastamento e busca e apreensão, em ação que denuncia as irregularidades na aplicação da vacina e no favorecimento de pessoas que teriam furado a fila do grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19, na última segunda-feira (25). No documento redigido pela Procuradoria Geral do MPE e enviado à Justiça do Amazonas, pede a prisão do prefeito de Manaus, David Almeida, e da secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe. Além do afastamento do subsecretário de Gestão de Saúde, Luís Cláudio de Lima Cruz, e dos assessores da Secretaria municipal de Saúde Djalma Pinheiro Pessoa Coelho, Stenio Holanda Alves e Clendson Rufino Ferreira. Entre os investigados alvos de busca e apreensão, estão o secretário municipal de Limpeza Urbana, Sebastião da Silva Reis, e a secretária municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania, Jane Mara Silva de Moraes. Todas essas pessoas foram vacinadas irregularmente, segundo o órgão.

Não vai ser a prisão e o afastamento dos burocratas amazonenses que foram vacinados irregularmente, nem a punição da população que desrespeitar as medidas de isolamento é que irão resolver o problema do controle da pandemia no estado. Pois a situação calamitosa é responsabilidade da direita golpista que governa o estado e a capital.

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