Direita é inimiga da cultura: exposição é atacada em Porto Alegre

IMG-20190122-WA0034

A coleção “Santificados”, do artista Rafael Dambros, cuja exposição se encontra no Espaço 900 em Porto Alegre (RS) desde o mês de janeiro, foi alvo de provocações neste domingo (dia 10/02).

Um grupo de 18 pessoas se reuniu no local depois que Bernardo Küster, youtuber de direita, publicou um vídeo a respeito da exposição na segunda-feira passada (dia 4). O youtuber, então, disparou uma série de comentários maliciosos e de baixo nível, visando denegrir a amostra.

Utilizando-se de argumentos morais e pretextos religiosos, começou a dizer coisas do tipo “Aquilo tudo é só vaidade, luxúria e péssima qualidade”. Chamou os apoiadores da exposição de “inimigos de Deus” e convocou católicos a que se reunissem em grupo para “rezar um terço por uma semana ou 10 dias”. Foi aí que alguns religiosos sentiram impulso para realizar essa ação e, assim, irem rezar no Espaço 900 em forma de “protesto” contra a exibição.

Esse é mais um exemplo que mostra o quanto a direita é inimiga da arte e da cultura popular, bem como de tudo o que diz respeito ao povo. Além das políticas de ataque à população, como a de pouco investimento em cultura, marginalização e repressão, agora, com o ascensão da extrema-direita e do bolsonarismo, essa política foi aprofundada. Com a perseguição e censura a obras de arte e também com a perseguição a artistas, apoiadores e espectadores. Vide os ataques do agora governador do estado de São Paulo, João Dória, com privatizações, cortes de verbas destinadas para a cultura e ameaças ao carnaval de rua e à liberdade de expressão na capital paulistana. Lembrar também dos ataques de grupelhos, como o MBL, contra a mostra “Queermuseu” em setembro de 2017, que levou ao seu cancelamento, dentre tantos outros exemplos recentes.

É que, na verdade, a arte e a cultura também são uma forma de expressão e de manifestação popular, uma forma de luta política. Por isso a direita não mede esforços para atacar, reprimir e acabar com elas, a exemplo dos nazistas, que censuravam e destruíam todo tipo de arte, obras, livros, que fossem considerados uma ameaça ao regime vigente. Da mesma forma, a extrema-direita no Brasil de hoje apela para valores de cunho moral, tais como “Deus” e “família”, para conduzir setores de classe média mais reacionários e outros setores mais atrasados política e ideologicamente, manipulando-os para aderirem aos ataques contra o movimento popular, contra a diversidade sexual e de identidade de gênero, entre outros.

Por esse motivo, é necessário se mobilizar em torno da luta contra a extrema-direita. A arte e a cultura devem ser defendidas a todo custo, e isso não vai acontecer com meros atos simbólicos na rua nem com discursos parlamentares. Os setores da população que participam diretamente das atividades artísticas e culturais devem se reunir para prepararem a sua autodefesa. Os fascistas só entendem a linguagem da força e, portanto, só podem ser derrotados com o uso da força.