Ilusionismo de esquerda
Tratando-se da burguesia e seus meios de comunicação, não há limites para perfídia e nem para falsidades. Mas a questão não se resume a isso; a esquerda ainda alimenta ilusões
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Merval Pereira, colunista do jornal O Globo | Foto: Reprodução

A cada dia, o regime político expõe as contradições do bloco golpista. Setores antes protegidos passaram a ser expostos, como foi o caso da Lava Jato e dos tucanos. O que antes era peça-chave, passa a cumprir um papel secundário ou até mesmo a ser descartado. A burguesia não cria laços afetivos com seus artífices golpistas, é tudo uma questão operacional. Um dos principais porta-vozes da burguesia, Merval Pereira, publicou ontem , no sítio do jornal golpista O Globo, coluna em que revela as contradições do regime golpista e levanta a possibilidade de Lula vir como candidato em 2022.

Segundo Merval,

“a eleição presidencial de 2022 pode ser a mais interessante dos últimos tempos, pelo menos em termos de sociologia política. Poderão se enfrentar nas urnas o ex-juiz Sérgio Moro, que condenou Lula, o ex-presidente, que teria conseguido deixar de ser ‘ficha-suja’, e o presidente Bolsonaro, adversário circunstancial de Moro e inimigo figadal de Lula”.

O articulista afirma ainda que, supostamente,

“está nas mãos do Supremo Tribunal Federal o destino do quebra-cabeças político-eleitoral que definirá a corrida presidencial de 2022, que já está em curso. A situação é mais do que retórica, é real, a começar pela possibilidade, cada vez mais concreta, de o ex-juiz Sérgio Moro ser considerado parcial nos julgamentos em que o ex-presidente Lula foi condenado”.

Tratando-se da burguesia e seus meios de comunicação, não há limites para perfídia e nem para falsidades. Mas a questão não se resume a isso; a esquerda ainda alimenta ilusões nas instituições que deram o golpe e possibilitaram toda essa situação que alijou Lula do processo político e colocou Bolsonaro no poder. Para os planos dos golpistas, Moro é um sujeito descartável, o que não significa uma guinada à esquerda e a defesa de Lula pela direita.

Em sua coluna, Merval – que sempre foi contra qualquer possibilidade de Lula concorrer no processo eleitoral de 2018, apresenta-se como um defensor da legalidade e manobra para evitar um choque grande com as revelações que se abrem em torno da fraude.

“Moro divulgou o depoimento de Palocci dias antes do primeiro turno da eleição presidencial de 2018 com o fim de prejudicar Lula, favorecendo assim Bolsonaro, de quem viria a ser ministro da Justiça. Caso seja considerado suspeito pela Segunda Turma, o processo do triplex do Guarujá, o único em que Moro foi responsável por condenar o petista, será anulado, o que provavelmente levará à anulação de outros dois processos, o do sítio de Atibaia, em que Lula foi condenado pela Juíza Gabriel Hardt, e o do Instituto Lula, que está em andamento com o Juiz Luiz Antonio Bonat”

conclui o colunista.

Diante dessa situação, a esquerda ainda alimenta ilusões de que o judiciário vai prejudicar o Moro e restituir todos os direitos ao ex-presidente Lula e até mesmo eleger Lula em 2022. Nada poderia ser mais surreal, a esquerda acredita que a direita está apoiando o Lula. Pura ilusão! A esquerda não se desfaz dessas ilusões de conciliação, de crença nas instituições e no apoio da direita dita “democrática”. Vale lembrar que a Operação Lava Jato foi um elemento decisivo no processo de golpe de Estado, tendo participação do FBI, como comprovado pelo Intercept. Embora essa ação tenha resultado diretamente no golpe de 2016, não podemos esquecer do processo do Mensalão, feito anteriormente no STF.

É preciso deixar claro que somente uma grande mobilização e uma grande campanha pode restabelecer todos os direitos políticos de Lula, e isso passa necessariamente pelo fim da Operação Lava Jato e pela derrubada do governo Bolsonaro e de todo o regime golpista, com a instalação de uma assembleia constituinte controlada pelas organizações populares.

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