“A culpa é do povo”
A verdade é que a pandemia nunca foi combatida de forma séria, ou melhor, nunca foi combatida
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Trabalhadores à espera do transporte público em São Paulo | Foto: Reprodução
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Trabalhadores à espera do transporte público em São Paulo | Foto: Reprodução

Amplamente noticiado está sendo na imprensa burguesa  a iminente situação de caos e colapso do Sistema de Saúde diante do aumento dos casos de Coronavírus , o que tem sido chamada como segunda onda da epidemia.

Os relatos de aumento da ocupação dos leitos hospitalares equiparam a situação atual ao pico da epidemia em meados de 2020.  Na capital paulista, no momento existe 100% de ocupação de leitos destinados ao Covid em três hospitais, sendo que a ocupação média é de 59% na rede pública e de 88% na rede privada contratada. No mês de maio passado, considerado ápice da crise sanitária, havia apenas um leito de UTI ( Unidade de Terapia Intensiva) vago para cada 10 existentes, o que correspondia a 89% de ocupação das UTIs.

Estes relatos se repetem em maior ou menor grau em todas as unidades da federação. O caso mais significativo é o de Manaus, capital do Amazonas, que sediou o show de horrores de filas de espera para cortejos fúnebres de sepultamento de vítimas de COVID na capital, com armazenamento de corpos em containers por ausência de serviço funerário.

Em matéria publicada neste diário no dia 07 deste mês, “Manaus viveu inferno e nada foi feito, agora o inferno se repete”, relata-se também a ocupação máxima também de 7 dos 11 hospitais privados da capital. Os dados oficiais do estado indicam a superlotação das unidades de saúde tanto pública como privadas com 94% de lotação dos leitos destinados a pacientes com Coronavírus assim como uma grande fila de espera por vagas em leitos hospitalares.

Para o diretor do SAMU de Manaus,  “já estamos em um cenário igual ou ainda mais sério do que foi registrado nos meses de abril e maio”. Situação esta explícita inclusive pelos manipulados dados oficiais que insistem em ocultar a verdade.  Manaus, conforme divulgado no boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), ultrapassou a marca de 30 óbitos por dia, o maior número computado desde o dia 20 de maio, no que era considerado o “pico da pandemia”.

A consequência prática disto é um aumento exponencial dos casos de morte em domicílio em concordância com o aumento dos casos registrados de contaminação e morte em todos os estados.

Somente para citar como referência, no estado do Rio de Janeiro houve um aumento de 10 para 14 mil óbitos domiciliares desde abril do ano passado. Óbitos estes sem assistência médica. É claro que estão inclusos nestes números mortes por outras doenças que não a COVID 19, mas que na análise geral são reveladores do descaso com a saúde da população.

Em nota técnica a Fiocruz destaca que os dados  revelam “um quadro de desassistência geral, que não se restringe aos hospitais, mas também à rede de atenção básica e ao sistema de vigilância em saúde” e que a maioria das mortes foram fora das UTIs, entretanto dentro dos hospitais do Rio de Janeiro , o que demonstra a incapacidade de atendimento do serviço de saúde.

Todos os indicadores apontam para o colapso do sistema de saúde como um todo com uma explosão de casos no mês de janeiro superando a marca de 1000 mortes diárias como no auge da pandemia em 2020.

Como justificativa para o quadro de extermínio da população trabalhadora , a imprensa burguesa joga para o povo  a culpa da crise de saúde e divulga opiniões que corroboram a ideia de que a população é a responsável pelo  aumento dos casos e da crise sanitária. Como exemplo temos a fala do infectologista Marcelo Otsuka, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, de que os números irão piorar ainda mais nos próximos dias, pois irão refletir as contaminações ocorridas nas festas de fim de ano e de que regras de restrições de circulação só são eficazes se houver conscientização por parte da população. “Não adianta nada se o povo continuar entendendo que não existe risco e  continuar a disseminação da doença”.

Fica claro nesta colocação de que não adianta  o combate a pandemia,  porque as pessoas é que são irresponsáveis, subentendendo-se que o governo fez sua parte.

Colocar a culpa no povo, nas festas, aglomerações , praia e falta de consciência da população não passa de uma distração e um desvio da realidade. A verdade é que a pandemia nunca foi combatida de forma séria, ou melhor, nunca foi combatida. Chega a ser um escárnio sobre o povo trabalhador dizer que os 200 mil mortos de Coronavírus são resultado de sua falta de consciência.

Nenhuma medida de controle de circulação do vírus foi tomada em nenhum momento como a mais simples de todas que é a testagem massiva para a  identificação dos contaminados, o que se fez foi colocar a classe média em home office e a papagaiar o ” fique em casa”, enquanto o pobre lutava pelo pão de cada dia.

Ao longo da pandemia os trabalhadores foram obrigados a circular em trens , ônibus e metrôs lotados pois a medida utilizada em vez de trabalho por turnos nos serviços essenciais , a diminuição do transporte coletivo para “ restringir circulação”.  Até o mais humilde trabalhador sabe que isto teve como finalidade engordar a conta bancária dos empresários do transporte coletivo. Menos ônibus, mesmas pessoas, contabilidade fácil de se fazer.

Os hospitais de campanha por sua vez não passaram de um sumidouro de verba pública, pois não há um relato que seja de que foram utilizados em sua capacidade.  Ou faltavam insumos ou faltava equipe de saúde.  Quando foi simulada uma diminuição de casos com finalidade de permitir a campanha eleitoral os tais hospitais foram simplesmente desativados.

Nada de medidas objetivas para prevenção da contaminação e muito menos para o tratamento dos doentes bem como a contratação de profissionais de saúde para aliviar a sobrecarga de trabalho.

O que se anuncia no país, mais uma vez é um grande teatro para enganar o povo colocando a conta do caos em suas costas e preparando a farsa da sonhada vacina que até momento não passa de uma ilusão e, a propósito, o negócio do século para a indústria farmacêutica.

 

 

 

 

 

 

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