Fascismo
Quilombo Vidal Martins em Florianópolis SC sofre com incêndios de grupos direitistas e guerra com bolsonaristas para demarcação e legitimação de suas terras.

Por: Redação do Diário Causa Operária

A comunidade quilombola Vidal Martins, reivindica a titulação das terras do que é considerado o primeiro Quilombo em Florianópolis, na Paróquia de São João do Rio Vermelho. O território soma 1.014 hectares em área sobreposta integralmente ao Parque Estadual Rio Vermelho. Ultimamente a comunidade vem sofrendo ataques da direita para que seja negado seus direitos e o reconhecimento histórico.

Desde quarta-feira (11) o fogo toma conta do Parque Estadual Rio Vermelho em Florianópolis, no nordeste da Ilha de Santa Catarina, entre a Praia de Moçambique (12,5 km de extensão), à leste, e a Lagoa da Conceição, à oeste, com área de 1.532 ha. Na Sexta-feira os focos de incêndio apareceram próximo do camping da comunidade Quilombola Vidal Martins, segundo os bombeiros pode ter sido um ato criminoso.

Em 14 de fevereiro, o Parque Rio Vermelho se tornou terra Quilombola, após seis anos de luta, 31 famílias descendentes de negros escravizados que resistem nas terras desde 1750, obtiveram o laudo do território reivindicado. O documento foi publicado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No entanto a titulação da terra em nome do Quilombo deve levar um tempo. De acordo com relatos da comunidade a partir dessa data começaram as ameaças.

Na última semana começaram os incêndios florestais próximos onde os quilombolas estão vivendo. Segundo o Repórter Popular, crianças adultos e idosos estão expostos à fumaça, danificando a saúde respiratória. Nas redes socais e sites de internet de grupos de direita, começaram os ataques ao Quilombo dizendo que eles teriam colocado o fogo e impediram os bombeiros de entrar no camping Vidal Martins para apagar.

Em nota o Quilombo Vidal Martins denuncia que os incêndios criminosos começaram após as ameças que sofreram, e que desde o inicio ajudaram os bombeiros a combater o fogo com pás e enxadas. E ressaltaram que as informações que estavam sendo repassadas pela coordenadora do Instituto do Meio Ambiente (IMA) Adriana Nunes e o comandante do 1º batalhão dos Bombeiros, coronel Diogo Bahia Losso, de que eles teriam incendiado o local eram falsas.

A presidente da Associação Quilombola Vidal Martins, Helena Jocélia Vidal de Oliveira, negou que membros da ocupação impediram a passagem dos bombeiros. “Isso nunca aconteceu. Jamais faríamos isso” afirmou. O que se percebe é uma clara tentativa de criminalizar a comunidade. Pois qual interesse teriam eles em atear fogo em seu próprio território e respirar fumaça por dias?

“A fumaça chegou intensamente no camping e já temos pessoas sofrendo com problemas respiratórios. Estamos em situação de risco de saúde, tanto pelas ameaças de grupos violentos, quanto pela fumaça e fuligem. Portanto exigimos do Ministério Público e dos órgãos competentes uma retratação e investigação sobre os responsáveis pelos incêndios criminosos” declara um trecho da nota emitida pelo Quilombo Vidal Martins.

O que se apresenta na situação dos Quilombolas em Florianópolis, é que a direita interessada na especulação imobiliária tenta expulsar os quilombolas e se apossar de seu território. E os problemas que eles enfrentarão daqui para frente é que a Fundação Cultural Palmares (FCP), que é o órgão que deveria protege-los, legitima-los  e dar o aval para liberação de seus direitos culturais e territoriais históricos, se encontra na mão de bolsonaristas.

Fica claro que essa direita da FCP representada pelo presidente racista Sérgio Camargo e o Ministro do Meio Ambiente o fascista Ricardo Salles farão de tudo em prol dos direitistas capitalistas na tentativa de impedir ou se omitir para que a comunidade não seja reconhecida e não tenha seus direitos conquistados. O movimento negro deveria atender o chamado do Quilombo e se somar a luta dos quilombolas de retomada de suas terras, e se mobilizar para enfrentar a direita fascista e racista.

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