Esfolamento do povo
Um aspecto fundamental do “lockdown” é o da repressão através das multas, uma penalização financeira para o trabalhador que estiver circulando com seus carros.
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abordagem pm carros belem
Abordagem policial em barreira da PM, em Belém (PA). | Imagem: Agência Pará

Diversas cidades do país já adotaram o lockdown, uma forma mais radical e repressiva de isolamento social, sob o pretexto de diminuir o contágio do coronavírus. Os estados que adotaram a medida, por enquanto, são: Maranhão, Pará, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro.

A maioria das cidades que estão ou estiveram sob lockdown são pequenas e médias, mas algumas capitais como Belém, São Luiz e Fortaleza adotaram a medida integralmente para seu território. Na cidade de Salvador, ele ocorre apenas em regiões em que a infecção registra números mais altos.

É preciso dizer, de forma clara, que essa medida tem muito pouco efeito no que diz respeito ao combate à pandemia. Ainda que ela possa aumentar um pouco o isolamento social, ela não vem acompanhada de uma melhora no atendimento à população e nem de um auxílio financeiro, que possa fazer as pessoas permanecerem em casa sem precisar trabalhar.

Na verdade, a função do lockdown é a repressão do povo. O principal aparato de estado envolvido nesse processo são as Polícias Militares, usadas em larga escala para se certificar de que as pessoas percam o seu direito de ir e vir. Um outro aspecto fundamental é o da repressão através das multas, uma penalização financeira para o trabalhador que estiver circulando com seus carros.

A indústria da multa

Em São Paulo Capital, que não chegou a ter a medida decretada, o prefeito Bruno Covas chegou a decretar uma espécie de “super” rodízio. As medidas eram muito mais restritivas e as punições muito mais rigorosas do que do rodízio normal da cidade. Em vez de restringir alguns finais de placa em determinados dias da semana, a regra era que carros com placas de finais pares só poderiam circular em dias pares e com finais ímpares, nos dias ímpares. Além disso, ele não duraria apenas nos horários de pico, mas durante as 24 horas do dia.

A medida foi tão impopular que ela não durou mais do que uma semana. Estava muito óbvio, até para elementos bastante direitistas, que ela não produzia nenhum efeito positivo na diminuição do contágio do vírus. Muito pelo contrário, as restrições ao uso do automóvel individual fizeram com que aumentassem as já grandes aglomerações nos transportes coletivos.

No Pará, estado que adotou o lockdown desde o dia 10 de maio e encerrou nesta segunda-feira (25), fez um balanço do número de multas aplicadas aos condutores durante o período. As cidades com o maior número de punições foram Belém (2.553), Ananindeua (851), Marituba (365), Santarém (266) e Breves (263). O número total de multas no estado foi de 5.564.

O que fica claro desses exemplos é que o principal objetivo da direita com esse tipo de medidas é o de esfolar a população não só politicamente, mas também financeiramente. Com o isolamento social, o número de veículos nas ruas deve ter diminuído e a arrecadação com multas também. Nesse sentido, foi necessário que aumentassem o rigor das punições, para não ficarem no prejuízo. 

O pior de tudo é constatar que isso não diminui em nada os números de infectados e de óbitos pela Covid-19, que são divulgados pelo menos 10 vezes abaixo da realidade. Além disso, mantém-se em prática um isolamento social que não abarca a população mais pobre e favorece apenas a classe média, mandando toda a classe operária para o matadouro. É preciso organizar o povo e lutar contra as medidas autoritários do governo e contra o isolamento social minoritário. É preciso lutar também pelo Fora Bolsonaro! Fora Dória! E todos os governadores direitistas que não têm interesse nenhum em proteger a população da morte certa.

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