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CUT erra ao considerar “vitória contra o retrocesso” o resultado das eleições municipais no país, pois é, na realidade, a vitória da direita e o o aprofundamento do golpe
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Sérgio Nobre Presidente Nacional da CUT | cut.org.br

A Central Única dos Trabalhadores divulgou nota política sobre o resultado das eleições municipais deste ano. A nota da maior central do país traz em sua caracterização política enorme erro político de análise e de orientação para a classe trabalhadora brasileira, jogando uma enorme cortina de fumaça ao apresentar o resultado das eleições como “uma resposta contundente dos trabalhadores e trabalhadoras e da população contra o deboche e o descaso com a gravidade da pandemia do Covid-19, que já causou a morte de mais de 165 mil pessoas” e ainda “o povo brasileiro, que foi às urnas nesse 15 de novembro para eleger os prefeitos e vereadores em mais de 5.500 municípios, e disse um sonoro basta ao presidente Jair Bolsonaro e aos candidatos apoiados por ele.”

A CUT que ainda hoje é dirigida majoritariamente por dirigentes ligados ao Partido dos Trabalhadores, sequer denunciou que as eleições foram voltadas para atacar o próprio partido destes dirigentes e aprofundar o golpe de Estado contra o próprio PT.

As eleições municipais deste ano, como a burguesia através de seus canais golpistas agora não cansa de apresentar, visavam atacar o PT, como uma terceira parte do golpe de Estado, que primeiro tirou Dilma, depois prendeu e impediu Lula de derrotar Bolsonaro. Agora procura fazer passar, que o PT já era, para começar uma fase mais direta de perseguição a outros dirigentes e setores ligados as lutas dos trabalhadores.

Em 2004, com o governo Lula, o PT chegou a 400 prefeituras, em 2008, saltou para 557 municípios. Chegando a 2012 com 644 prefeituras. Como o seu braço judicial, a  Lava Jato, e a derrubada da presidente Dilma Rousseff, ato que objetivou o golpe de Estado em 2016, o PT recuou para 256 prefeitos eleitos, nas eleições daquele ano, a primeira sob o golpe, . e agora caminha para ficar com cerca de 170 cidades, uma queda de 70% em relação a 2012 no número de cidades dirigidas pelo PT.

O retrocesso do PT e de outros setores da esquerda com maior presença eleitoral, são o resultado do golpe em si, com a acentuação do processo fraudulento e de manipulação nas eleições, aliado a uma profunda capitulação política desses setores diante do golpe. s diante do golpe, cuja melhor expressão – neste momento – está no apoio à política da frente ampla, de unidade com os maiores algozes do povo brasileiro (e da própria esquerda), como defendem e praticam a direita do PT, o PCdoB e o PSOL.

Na questão das capitais em 2012, o partido dos trabalhadores elegeu quatro prefeitos em capitais, agora a burguesia trabalha pela derrota dos 2 candidatos petistas no segundo turno das capitais. Em Vitória, capital do Espírito Santo, João Carlos Coser obteve 37,4 mil votos, 21,82% do total válido. Em Recife, Marília Arraes conquistou 223,2 mil votos, 27,95% dos válidos.

Na eleição em grandes capitais como em Belo Horizonte, Nilmário Miranda, recebeu 23,3 mil votos ou 1,88%, apenas o 6º colocado.

Na capital paulista, Jilmar Tatto recebeu 461,7 mil votos ou 8,65% dos votos úteis, e foi apenas o 6º mais votado. O pior resultado na história das eleições municipais na cidade. Indo Guilherme Boulos para o segundo turno, após intensa campanha na imprensa capitalista em defesa do candidato do PSOL. Desde a chamada redemocratização/ é a primeira vez que o PT ficou de fora do segundo turno em São Paulo.

Em Rio Branco, antigo reduto eleitoral petista, o candidato do PT, Daniel Zen, foi o 5º mais votado com 4% dos votos válidos.

Em João Pessoa, o petista Anísio Maia foi apenas o 9º mais votado na capital paraibana, tendo 1,5% dos válidos. A CUT também deveria se levantar e combater a propositalmente exagerada e falsa a “tese” propalada pela direita e sua venal imprensa de que o PT e seu principal líder Lula, estariam mortos, por conta do resultado eleitoral deste ano.

A CUT capitula ao não denunciar o processo eleitoral profundamente fraudulento no qual a direita golpista – que agora se apresenta como “centro”- conseguiu impor seus planos de garantir para si o controle da imensa maioria das prefeituras do País, mesmo em meio de um profundo retrocesso e seguidas derrotas em cinco eleições nacionais , quatro delas para a esquerda liderada pelo Partido dos Trabalhadores (de 2002 a 2014) e a quinta e última para a extrema direita liderada por Bolsonaro (2018) que acabou sendo apoiado por toda a direita para impedir uma nova vitória do candidato petista.

Os principais partidos deste “centrão” que impuseram através do Congresso Nacional – bem como nos governos estaduais e municipais – a maior onda de ataques contra a população trabalhadora (“congelamento” dos gastos públicos, “reformas” trabalhista e da Previdência etc.) desde FHC e junto com Bolsonaro – está levando adiante o maior genocídio da história recente do País com quase 170 mil mortos, conquistaram mais de 4.500 prefeituras (mais de 80% do total) dos quais cerca de 3100 prefeituras foram conquistadas pelos cinco principais e tradicionais partidos da direita golpista: O MDB com 772 cidades, o PP com 680 prefeituras , PSD com 650 municípios, PSDB apesar de sua queda conquistou 511 cidades e o DEM idolatrado pela Rede Globo ficou  459 cidades.

A nota da CUT considera um avanço que a rejeição e reprovação do governo federal bolsonarista tenha sido acompanhada de uma suposta boa votação nas candidaturas de esquerda e progressistas. O que é uma ilusão, visto que a queda, resultado da tamanha fraude eleitoral do PT é gigantesca, ao passo que PC do B e PSOL conquistaram respectivamente 46 e 4 cidades, além de estarem no segundo turno em apenas três capitais, São Paulo e Belém com PSOL e Porto Alegre, com Manuela D’Ávila.

Todo este resultado foi cuidadosamente preparado pela direita através de um conjunto de medidas ditatoriais que praticamente impediu a existência de uma verdadeira campanha eleitoral e esta deveria ser uma das primeiras e necessárias denúncias da CUT, ainda durante o período de pleito eleitoral. Por meio da “reforma” eleitoral, de 2017 (logo após o golpe de Estado de 2016) e do controle sobre o judiciário golpista (que “reinou” absoluto sobe as eleições), essas poderosas máquinas da direita dominaram o horário eleitoral, diminuíram (e expulsaram, caso do PCO) o tempo da esquerda no horário eleitoral garantindo assim melhores condições para a reeleição e eleição de seus candidatos, em sua maioria das tradicionais máfias políticas burguesas do País.

Em uma “campanha” com inúmeras restrições, com um terço dos partidos jogados para fora do horário eleitoral do Rádio e TV,  outro terço limitado a segundos de programas diários, as eleições estavam nas mãos de todo aparato burguês. A burguesia definiu desde o começo do processo eleitoral quem eram os candidatos da direita e até da esquerda que povo poderia “escolher”.

Com esta posição a CUT faz coro com a esquerda burguesa e pequeno burguesa que não denunciou o esquema fraudulento e injetou água no moinho da direita de que estamos finalmente vivendo um “processo democrático”. Quando na realidade a direita apenas avançou em seus planos com vistas à recuperação do comando do Estado nacional em 2022, por meio de uma “frente de oposição” que pode ser alicerçada por uma “frente ampla” contra Bolsonaro, que pode ser integrada por golpistas dos mais diversos matizes, inclusive, ex e atuais integrantes do governo Bolsonaro, como Sérgio Moro e general Mourão.

A CUT ao afirmar que as eleições representam uma “liquidação” de Bolsonaro como fizeram outros setores, contribui com o tremendo exagero propagando pela frente ampla, desde seus setores mais direitistas até a sua esquerda, encobrindo, inclusive, que o resultado pode servir de base para uma nova recomposição de uma nova base de sustentação do governo.

Além disso, é preciso relativizar a derrota de Bolsonaro, pois, candidatos e partidos que tem maior proximidade com sua politica reacionária e fascista conquistaram algumas centenas de prefeituras (como o Republicanos, com 209; o PSL, com 90, o Patriota, com 49, entre outros) e candidatos com seu apoio explícito obtiveram alguns milhões de votos pelo País afora, defendendo seu governo genocida.

A CUT, os trabalhadores e a esquerda classista precisam intervir contra essa armação, defendendo um saída própria diante da crise, a luta pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas ganhando as ruas, junto com a busca da unidade, desde já, em torno de uma perspectiva independente, a defesa da restituição dos direitos políticos de Lula e da sua candidatura presidencial em 2022, capaz de impulsionar uma ampla mobilização contra a direita golpista.

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