Diplomacia: extrema-direita está atirando contra instituições para ganhar espaço

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O governo Bolsonaro está remodelando o Itamaraty e desagradando uma parcela da burguesia com raízes na diplomacia brasileira, que permaneceram intocáveis por muito tempo. Com demissões em massa nos mais altos escalões e mudança na hierarquia da casa, Bolsonaro está expandindo sua influência e mexendo com um ninho de cobras.

Historicamente a função do Itamaraty, desde o barão do Rio Branco, sempre foi a de ser uma zona onde a alta burguesia brasileira, ligada ao imperialismo, pudesse, independente do regime, controlar a política externa do país. Segundo as orientações do Barão, considerado o “pai da diplomacia brasileira”, manter boas relações com os EUA é imprescindível para se pensar uma política na América do Sul . Alterações nessa orientação foram feitas apenas durante alguns períodos de crise do regime militar, onde as contradições entre os interesses das forças que governavam eram parecidas com as de agora.

Atualmente, o governo tem a presença de elementos de extrema-direita dentro do regime, figuras difíceis de calcular e que prejudicam enormemente alguns interesses das políticas externas que os organizadores do golpe planejaram para o Brasil. Podemos ver por exemplo o caso da extinção do ministério do meio ambiente, medida na qual o governo voltou atrás devido a uma pressão da burguesia europeia e dos próprios gigantes do agronegócio brasileiro.  Essa medida beneficiava um setor que ajudou a eleger Bolsonaro, porém foi um tiro que saiu pela culatra e não representava bem os interesses das multinacionais da agricultura.

Esses elementos de extrema direita, ministros de baixo escalão dentro do governo agora estão mandando no Itamaraty, criando atritos com forças como a China ou o Egito, parceiros comerciais do Brasil de longa data, por motivos ideológicos e de interesses econômicos. Muito também está sendo feito baseado na política de Trump, porém o presidente norte-americano se encontra numa posição similar a de Bolsonaro, pois não era o favorito do capital internacional e do setor mais poderoso da burguesia americana, muitas de suas decisões sobre qual deveria ser a política dos EUA com outros países foram duramente criticadas e atacadas por esses setores. Então por mais que o presidente ilegítimo brasileiro esteja alinhado com o presidente dos Estados Unidos, não está totalmente alinhado com o imperialismo norte americano.

Segundo uma entrevista do embaixador recém-exonerado Paulo Roberto de Almeida para O Estado de S. Paulo, “os embaixadores estão obedecendo a ministros de segunda classe no Itamaraty. E todas as secretarias são ocupadas por funcionários juniores, ou menos antigos dos que estavam antes”. Essas exonerações e a substituição de embaixadores experientes como Paulo Roberto, que está na carreira desde 1977, por setores mais ligados a Bolsonaro é muito preocupante para os golpistas. A própria figura de Ernesto Araújo, novo chanceler oriundo dessa nova leva de diplomatas, desagrada setores como os militares, estes sim plenamente alinhados com o imperialismo, que nas palavras da imprensa burguesa, fazem um cordão sanitário em torno do chanceler.

Essa disputa é mais um fruto das contradições do governo, e ponto de tensão que pode gerar uma ruptura entra a burguesia e o governo Bolsonaro. Sem apoio popular e com constantes faíscas entre o governo e os golpistas, a situação está cada vez mais complicada para o presidente recém eleito por meio da fraude.