Frente ampla “sanitária”
Diante da desmoralização da política de frente ampla, o PCdoB usa a crise sanitária como pretexto para a aliança com a direita golpista

Por: Redação do Diário Causa Operária

A política de frente ampla é um esforço da direita golpista tradicional, usando a esquerda como cobertura, para uma operação política direitista. Embora tenha apoiado Bolsonaro e sustente seu governo, esses setores da direita buscam uma alternativa para as próximas eleições, que seja um nome de confiança. Assim, o regime golpista estaria mantido com toda a política de ataques contra o povo e ao mesmo tempo o inconveniente da extrema-direita seria colocado para escanteio.

A esquerda que defende a frente ampla está se prestando a esse serviço, que tem como objetivo a manutenção do golpe de Estado. Para ser bem sucedida, tal manobra precisa que os votos da esquerda migrem para esse candidato da direita.

Por isso, só é possível tal manobra caso Lula esteja fora das eleições. Afinal de contas, Lula é o nome mais popular do País. Com a devolução dos direitos políticos do ex-presidente, portanto, a manobra da frente ampla está muito desmoralizada. Os setores da esquerda que defendem a frente ampla, em primeiro lugar o PCdoB, não podem simplesmente ignorar o fato de que Lula é o candidato natural de toda a esquerda.

A burguesia faz uma campanha contra Lula e contra a polarização política, tentando pressionar esses setores da esquerda a não apoiar uma candidatura de Lula.

Diante da desmoralização da frente ampla, esses setores buscam uma nova política para se apoiar. O agravamento da pandemia e a política criminosa de Bolsonaro tem se apresentado como um pretexto para uma aliança com a direita.

É isso o que mostra um artigo do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PCdoB, para o portal Vermelho. Com a desculpa do combate à pandemia, Dino defende um pacto com os governadores da direita.

“Preocupado com esse quadro, o Fórum Nacional de Governadores propôs, esta semana, um Pacto Nacional em Defesa da Vida e da Saúde. O documento foi assinado por 21 governadores, com o objetivo de estruturar um trabalho conjunto, célere e efetivo no enfrentamento a esta tragédia.”

Por trás da preocupação com a “vida e saúde”, o PCdoB defende que a esquerda fique a reboque da direita golpista. É preciso em primeiro lugar dizer claramente que os governadores da direita não tem uma política diferente de Bolsonaro. A não ser no discurso, esses governadores direitistas são tão responsáveis quanto Bolsonaro na catástrofe da pandemia no Brasil.

Fazem parte desse pacto, governadores como João Doria (PSDB), de São Paulo, Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás, e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul. Só por esses nomes, já é possível saber que na realidade não se trata de um “Pacto em defesa da vida”, mas de um pacto com genocidas.

Flávio Dino e os demais governadores de esquerda que articulam tal pacto estão na realidade prestando um serviço a essa direita que tem tanta responsabilidade na catástrofe quanto Bolsonaro. João Doria, por exemplo, que é apresentado como “científico” pela imprensa golpista, governa o Estado com maior número de mortes no País. No meio disso tudo, forçou professores e estudantes a retornarem às aulas presenciais. Mas não é só isso. Após mais de um ano do início da pandemia, o governo do estado mais rico do Brasil não tomou nenhuma providência para garantir uma estrutura para o combate à pandemia. Hoje, a falta de leitos e equipamentos é tão grave ou ainda pior do que há um ano atrás.

A questão das vacinas, que foi peça de propaganda eleitoral por parte de Doria, não era nada mais do que isso: pura propaganda e politicagem. A vacinação anda a passos de tartaruga no estado e no País. Se a culpa é de Bolsonaro é também de Doria e dos demais governadores “científicos”.

Flávio Dino afira que:

“O Pacto ultrapassa quaisquer preferências político-partidárias, porque o nosso objetivo é lutar em defesa do povo brasileiro, e não tratar de eleições. Para tanto, propusemos que o processo seja coordenado por um Comitê Gestor composto por representantes dos três poderes e nos três níveis federativos – União, Estados e Municípios, sob assessoria de uma comissão de especialistas, atuando a partir de três focos centrais.”

Um pacto “acima de preferências partidárias”. Esse é o velho discurso reacionário da direita para disfarçar sua política genocida. Quem não se lembra que no início da pandemia a burguesia fazia a campanha de que o vírus era “democrático” pois atingia a todos igualmente e que por isso seria preciso uma política de “união nacional”? Fica claro que nessa união nacional cabem toda a direita e até mesmo o governo Bolsonaro.

O discurso de união nacional em defesa do povo serve justamente para esconder que a burguesia está economizando o dinheiro no combate à doença e deixando o povo morrer aos montes. É disso que se trata. Essa é a versão sanitária da política de frente ampla defendida pelo PCdoB de Flávio Dino e demais governadores da esquerda pequeno-burguesa.

Na verdade, a saída para combater a catástrofe sanitária que vive o País não é nenhum pacto com essa direita genocida. A saída para os trabalhadores é uma política independente, que apresente um programa de luta para as massas, que coloque em xeque todo o regime golpista. É preciso uma unidade entre os setores populares, não com a direita. Essa unidade deve passar pelo lançamento imediato da candidatura de Lula, que serve como instrumento de mobilização do povo. A direita não quer Lula porque sabe que ele representa um movimento contra o golpe de Estado.

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