Dinheiro, muito dinheiro. Mundo árabe entra na disputa para sediar a final da Libertadores

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As especulações em torno ao local de realização da partida final da Taça Libertadores não param de crescer. Depois da confirmação, pela Conmebol, de que a partida não seria realizada na Argentina, várias cidades dentro e fora do continente americano se ofereceram para sediar o evento que decidirá o título de campeão do mais importante torneio de clubes da América do Sul.

A Conmebol marcou para quinta-feira, dia 29, o dia em que irá definir qual a cidade sediará o segundo confronto entre River Plate e Boca Juniors, os dois times argentinos que decidirão o título da Libertadores. O impasse começou no sábado, quando torcedores do River Plate apedrejaram o ônibus do arquirrival Boca Juniors, quando a delegação do time de La Bombonera se aproximava do estádio Monumental de Nuñez, palco da segunda e decisiva partida.

A entidade que controla o futebol sul-americano, depois de administrar de forma totalmente desastrosa o torneio em todas as suas etapas, se vê neste momento numa “sinuca de bico” em relação à decisão que precisa adotar para a realização da partida final. Num primeiro momento, os dirigentes da Conmebol anunciaram a capital do Paraguai, Assunção, já que o país é a sede da entidade. Depois vieram as outras cidades que se candidataram, como Miami (EUA) Medellin (COL), cidade do México, chegando a ser cogitado também o Brasil, em Belo Horizonte (MG) e São Paulo. Também Gênova, na Itália, se ofereceu para receber o confronto final.

No entanto, com a indecisão da entidade sul-americana em bater o martelo em relação à definição do local, entrou na disputa um candidato de peso, pelo menos no tocante a um fator considerado muito importante no futebol atual: o dinheiro. O Catar – que sediará a próxima Copa do Mundo, em 2022 – já apresentou a sua capital, Doha, para receber os dois times argentinos protagonistas da decisão. A suntuosa capital do país árabe, assim que se dispôs a receber o cobiçado evento, já passou a figurar entre as favoritas pela Conmebol. Os cartolas dirigentes, evidentemente, cresceram o olho na montanha de dinheiro que podem ganhar com a realização da final em Doha, mesmo considerando que o país árabe não tem qualquer tradição e apelo popular pelo futebol. O esquema é puramente comercial e de marketing, nada mais.

O que se vê – mais uma vez – é que os interesses capitalistas das grandes corporações e dos grandes grupos de investidores devem se sobrepor aos interesses do verdadeiro futebol. Em se confirmando a partida final entre os dois times argentinos na cidade de Doha, os grandes vitoriosos serão aqueles que nada têm a ver com o esporte mais popular do mundo, que pertence, pela história e pela tradição, às grandes massas populares.