Dilma: “nem na ditadura os presos não recebiam visita”

dilma em curitiba

A presidenta Dilma Rousseff esteve, nesta terça (dia23) em Curitiba para visitar o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e foi impedida de entrar na superintendência da polícia federal.

Dilma afirmou que conhece bem o que é estar presa, pois esteve detida por três anos, presa política durante a ditadura militar. Durante esse período pode receber visitas de parentes, amigos e seus advogados de defesa.

Acompanhada pelos senadores Roberto Requião (MDB-PR), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela ex-ministra Eleonora Menicucci, Dilma chegou à PF por volta das 15h20. Às 14h20, a juíza Carolina Lebbos barrou todos os 23 pedidos de visita ao ex-presidente Lula feitos até hoje, incluindo Dilma.

A comitiva permaneceu por aproximadamente uma hora no interior do edifício da Superintendência e não foi autorizada a ver Lula.

Na saída ao falar com a imprensa, afirmou: “Eu acredito que é uma situação muito estranha [não permitir visitas], porque não tem justificativa para Lula estar isolado ou em um regime especial de prisão, em que pessoas que o conhecem não possam visitá-lo”.

Dilma também criticou a prisão de Lula após condenação em segunda instância, em aberta violação à Constituição Federal, tema que é centro de um debate travado no STF (Supremo Tribunal Federal). No último dia 4, a Corte negou um recurso do ex-presidente contra sua prisão. Há ainda, no entanto, a expectativa cada vez mais remota de que os ministros julguem duas ADCs (Ações Declaratórias de Constitucionalidade) contra a prisão em segunda instância, que poderiam beneficiar Lula. A inclusão das ações na agenda do plenário depende da presidente da Corte, a “vampira” Carmem Lúcifer.

“A própria ditadura militar tentou cobrir de legalidade os processos nos quais nos éramos condenados, e nunca deixamos de ter condição de recurso, apesar de presos”, disse. A ex-presidente lembrou o impeachment que sofreu em 2016 e disse que a prisão de Lula faz parte de uma “tentativa de manter o golpe vivo, tirando de cena  a pessoa que pode derrotar o golpe nas eleições de 2018” disse.

O episódio reforça a importância de centrar fogo nas mobilizações e colocar o povo na rua, e certamente no centro principal do golpe de Estado que hoje é Curitiba. Todos à Curitiba em 1º de maio!