Dilma é candidata em MG: PSDB treme e entra com processo para impedir

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O lacerdismo do PSDB mineiro volta a atacar. Dessa vez o alvo é a candidatura da presidenta Dilma Rousseff (PT) ao Senado Federal por Minas Gerais. A presidenta confirmou a sua pré-candidatura na última quinta (28). No domingo (1), o presidente do PSDB no Estado, Domingos Sávio, afirmou que o Partido entrará com pedido de impugnação da sua candidatura.

Dilma é mineira de Belo Horizonte, e morou no estado até sua prisão pela ditadura militar e pela Operação Bandeirante em 1970. Mesmo tendo construído sua carreira política a partir de Porto Alegre, sempre manteve profundos laços com o estado natal, para o qual voltou a transferir seu domicílio eleitoral em abril deste ano. Também se cogita que a presidente possa concorrer ao governo do estado, no lugar de seu correligionário Fernando Pimentel – que vem sofrendo severas tentativas de golpe pela direita. Em qualquer caso, ela assevera: “Eu não vou me furtar a participar de uma luta do ponto de vista eleitoral”.

Quando foi afastada da Presidência da República pelo Senado em agosto de 2016, a votação do processo foi feita em duas partes: uma deliberava sobre seu afastamento do cargo e outra sobre a perda de seus direitos políticos. Dilma perdeu a primeira votação – essencial à continuidade do golpe, uma vez que mesmo como interino Michel Temer já havia colocado a oposição no poder. Porém, o plenário decidiu manter os direitos políticos da presidente numa segunda votação.

Na verdade, essa divisão da matéria era o atestado de ilegalidade de todo o processo de impeachment: Dilma não perdeu os direitos políticos porque não houve crime de responsabilidade. Se não o houve, não se justificava seu afastamento do cargo. Confirmando esta tese, no dia seguinte o próprio Senado aprovaria uma lei regulamentando os decretos de créditos suplementares que haviam sido objeto do processo de impeachment.

Agora, exercendo seus direitos políticos, Dilma anuncia sua pré-candidatura com amplo apoio da militância petusta. O PSDB mantém a postura lacerdista anunciada 2014, ao perder as eleições presidenciais, quando seus parlamentares – liderados pelo mineiro Aécio Neves – começaram a urdir a sabotagem do governo Dilma, o golpe de estado, a prisão de Lula e a perseguição das lideranças populares. No que concerne a qualquer líder de esquerda, o Partido parece guiado pela máxima de Carlos Lacerda ao ameaçar Getúlio Vargas em 1954: “Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”.

Assim como a UDN há 65 anos, o PSDB tornou-se hoje a mais palpável encarnação do espírito golpista.