Dilma: O Brasil constatou a solidariedade e competência dos médicos cubanos

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Brasília, 3 dez (Prensa Latina) – A ex-presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje que o Brasil constatou a solidariedade, fraternidade e competência dos profissionais cubanos no programa Mais Médicos, o mais importante em saúde nos últimos 20 anos.

Essa iniciativa ‘foi a mais importante para a atenção básica de saúde do povo brasileiro nos últimos 20 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) a considera como a primeira e mais fundamental’, declarou Dilma Rousseff à Prensa Latina em meio à uma reunião da direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).

Reconheceu que seu país tem ‘uma imensa carência de médicos… e Cuba tem um sistema de saúde sólido e uma imensa prática de ensino baseada em saúde pública, em prevenção de doenças e tratamento das pessoas junto às comunidades’.

Explicou que o Mais Médicos aflorou quando descobrimos que esta gigante nação tinha ’63 milhões de pessoas sem atenção médica e fizemos primeiramente um concurso para que os profissionais brasileiros participassem, mas poucos se apresentaram, e então fizemos completar, abrindo de maneira geral para outros de diferentes nacionalidades’.

Porém, detalhou a senadora, ‘não apareceram muitos e observamos que um país respeitado internacionalmente, não só no tratamento da saúde básica, mas capaz de enfrentar doenças herdadas de guerras e desastres naturais, era Cuba, que exibe um sistema de saúde exemplar’.

Quando o Haiti teve problemas por um terremoto e ressurgiu o cólera e ebola em várias nações, constatamos que os que podiam tratar de forma sistemática e em massa eram os médicos cubanos, comentou a ex-presidenta.

Precisou que, ante tal situação sanitária no Brasil, ‘recorremos a Cuba e assinamos um acordo através da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), vinculada à OMS, e recebemos a solidariedade, fraternidade e competência dos médicos cubanos’.

Os profissionais da ilha, prosseguiu Dilma Rousseff, ‘vieram ao Brasil e de forma extremamente generosa e progressiva chegaram a 11 mil quando era presidenta, e mais tarde fui alvo de um golpe de Estado em 2016’.

Esses médicos cubanos tiveram uma atitude importante porque trataram os brasileiros como pessoas, não eram profissionais distantes que só receitavam. Eles faziam sua história e diagnóstico, visitavam as residências, tinham uma relação próxima de ajudar desinteressadamente. Isso fez a diferença, recordou dirigente política.

Sublinhou que foi tanta a diferença que quando se fez uma pesquisa ‘o povo brasileiro votou pelos médicos cubanos e tiveram uma aprovação de quase cem por cento, mais ou menos entre 94 e 95 por cento’.

E isso foi progressivo, fizemos várias entrevistas e nos demos conta de como o brasileiro via os médicos. Todos queriam os cubanos. Dois elementos saltaram à vista: primeiro, os prefeitos dos diferentes municípios queriam os médicos cubanos, os doentes queriam os médicos cubanos, ressaltou a ex-chefa de Estado.

Eles (os cubanos) mostraram no Brasil o que é a saúde pública, a quem se deve atender, à pessoa, ao brasileiro.

Seguidamente, Dilma Rousseff fez três observações: ‘uma primeira sobre a negociação entre a OPAS, Cuba e Brasil. Em relação à remuneração dos médicos tudo ficou bem claro a respeito do proposto por Cuba. Todas as partes aceitamos e entendemos perfeitamente porque havia garantia de retorno dos profissionais à sua pátria e condições de apoio a suas famílias’.

Além disso, esclareceu, uma segunda questão é que o padrão da medicina em Cuba é reconhecido internacionalmente pela OMS e a OPAS. Quando se tem um problema grave de saúde pública se recorre aos médicos cubanos, à medicina cubana, por isso seus profissionais não tinham que revalidar seus diplomas para se integrar ao Mais Médicos.

Foi um grande esforço para Cuba chegar aos 11 mil médicos, e no Governo de Michel Temer houve uma redução da quantidade de cubanos (mais de 8.300 mil) e isso foi grave, pois, anteriormente, havia um deficit e comprometeu a saúde do povo brasileiro.

Finalmente Rousseff denunciou que atualmente ‘há um problema maior pelas posições absolutamente radicais, ideológicas e de ofensa a um país que ajudou o Brasil’. É muito compreensível que Cuba encerre sua participação no Mais Médicos, admitiu.

A futura administração de Jair Bolsonaro ‘está enganando a população a respeito de que os médicos brasileiros ocuparão as vagas deixadas pelos cubanos. Vai se repetir o mesmo fenômeno de quando fizemos a convocação em 2013, em que alguns se apresentaram, e com um ano e meio abandonaram’, alertou a ex-presidenta.

Previu que ‘haverá um grande problema para a saúde pública e será responsabilidade de um governo que ainda nem tomou posse’.