Dieese sobre reforma da previdência: reforma não gera empregos

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Não é nova a história de uma proposta de reforma em algum setor que supostamente reequilibraria a economia e geraria empregos e que, no final, prejudica a população. O ex-presidente golpista Michel Temer, por exemplo, dizia que a reforma trabalhista iria criar oito milhões de empregos. Na prática, o que aconteceu foi que entre 2014 e 2018 o desemprego passou de 6,7 para 12,8 milhões, um aumento 90,3%, ou seja, quase o dobro.

Agora temos Jair Bolsonaro, um fascista eleito através de eleições fraudadas, que tenta aprovar a reforma da previdência. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, caso o Congresso aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) dessa reforma, o Brasil vai gerar oito milhões de empregos nos próximos 4 anos.

Em entrevista à CUT, o economista e diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, diz:

Quando o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, fala em economizar R$ 1 trilhão, ele está tirando R$ 1 trilhão da massa salarial, do dinheiro das pessoas que recebem aposentadoria, BPC e outros auxílios previdenciários. Dinheiro que iria para o consumo[…] A reforma da Previdência tira o dinamismo da demanda interna oriunda do consumo das famílias e terá um efeito negativo na economia, que não será compensado por supostos empregos gerados.

“O governo quer fazer mágica. A proposta do governo não se sustenta nem na prancheta, nem na planilha”, afirmou Clemente.

O presidente da Fundação Perseu Abramo e professor de economia da Unicamp, Marcio Pochmann, afirma que “essa projeção de gerar 8 milhões de empregos tem como objetivo apenas defender a reforma, não tem sustentação na realidade”. Ele ainda afirma:

Na administração de Temer, o governo prometeu que a reforma Trabalhista promoveria a geração de empregos dizendo que a legislação trabalhista impedia a contratação de empregados. A PEC 95, que limitou os gastos públicos, também foi ‘vendida’ como necessária e urgente e não resultou em algo melhor para o país […] Os argumentos das equipes econômicas de Temer e Bolsonaro não têm credibilidade. Tudo o que eles defendem não se viabilizam. Não há notícias de melhora no índice de emprego, nem tampouco na situação fiscal do país.

Segundo Pochmann, não existe nenhuma prova de que a reforma soluciona o problema do crescimento econômico, muito pelo contrário, nos últimos 4 anos o desemprego atingiu 13,1 milhões de trabalhadores e o nível de empregos formais caiu 3,7%.

O desemprego está se aprofundando desde as medidas realizadas por Michel Temer como a reforma trabalhista, a PEC do Teto, etc. que, dado o cenário de crise econômica e política em diversos países da Europa e nos EUA, essas medidas são ineficazes e tendem apenas a intensificar a exploração do trabalhador brasileiro a e precarização da vida da população pobre.

Já se passaram 3 meses que o governo fraudulento assumiu o poder e nenhuma palavra foi dita sobre geração de empregos. A política adotada pelo atual governo é uma postura de capacho dos Estados Unidos e de total entrega do Brasil para empresas estrangeiras com as diversas propostas de privatizações em todos os setores, além dos ataques e das censuras na educação pública e a demagogia ideológica referente aos valores familiares e religiosos.

As mentiras contadas sobre a Reforma da Previdência já foram desvendadas pelo povo, que, como visto nos atos contra essa reforma no dia 22/03, está claramente disposto a se mobilizar contra o governo golpista e seus ataques e medidas fascistas contra a população. Precisamos incentivar essas mobilizações e avançar contra esse governo de extrema-direita e inimigo de todos os trabalhadores. Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Liberdade para Lula! Não à reforma da previdência!