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Mobilização permanente

Dias 26 e 29, sair às ruas e preparar um grande ato em 3 de julho

É preciso criar um estado de mobilização permanente. Se quisermos trazer à tona uma verdadeira mobilização, temos que pôr em marcha um movimento permanente.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Ato de 1º de Maio na Praça da Sé, organizado pelo PCO e pelos Comitês de Luta – Foto: Reprodução

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Na última terça-feira, dia 11 de maio, realizou-se a III Plenária Nacional de Organização das Lutas Populares, que contou com a participação de mais de 400 dirigentes e ativistas que integram as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entre outras entidades.

Fato marcante do ponto de vista político, dessa Plenária saiu um calendário de lutas para as próximas semanas. E quando dizemos “calendários de lutas”, não estamos nos referindo a lives ou reuniões por videoconferência, das quais na massacrante maioria das vezes participam figuras da pior espécie, verdadeiros inimigos dos trabalhadores, como ocorreu no ato virtual promovido pelas centrais no último 1º de Maio, quando Fernando Henrique Cardoso et caterva derem o ar da graça. Estamos nos referindo àquele fato que parecia estar jogado no fundo do baú de quinquilharias da esquerda: os atos e manifestações de rua.

Com a participação das principais organizações do movimento operário e popular ‒ entre as quais figuravam a CUT, o MST etc.  ̶  a Plenária decidiu realizar mobilizações em defesa do Correios e contra sua privatização neste dia 16, um ato em Brasília, em frente ao Congresso Nacional, convocado pela Central Única dos Trabalhadores e demais “centrais” no dia 26 e, como ponto culminante, uma dia nacional de mobilizações de rua em todo o País no dia 29.

Esse conjunto de decisões, é importante dizer, marca uma mudança de rota na política adotada pelos mais importantes agrupamentos da esquerda. O que predominou até agora no interior da esquerda foi a malfadada política do “fica em casa”, que se manifestou no mais completo abandono das atividades de rua (com exceção, é claro, das atividades relacionadas às eleições), sob o pretexto de evitar aglomerações e assim combater a propagação da Covid-19.

As consequências dessa política nula foram desastrosas e seus efeitos começam a ficar cada vez claros para a população. A crise da pandemia escalou e caminhamos firmes rumo à marca de 500 mil mortos pelo vírus, um resultado que só pode ser tributado à política farsesca e demagógica do regime político de conjunto, seja na sua esfera federal, estadual ou municipal. A crise social e econômica, que deita raízes no aprofundamento da crise capitalista mundial e é estimulada pela política neoliberal da direita, não dá trégua e abre espaço para a ampliação de fenômenos verdadeiramente catastróficos e dramáticos: cerca de 60 milhões de brasileiros já estão em situação de fome, e o cenário de miséria e degradação social se expande a olhos vistos em todas as cidades. Ao mesmo tempo, a extrema direita, com as mãos livres, continuou marcando passo e, em alguns momentos, chegou a ocupar sozinha as ruas. Uma das razões fundamentais que explicam esse estado de coisas foi a total ausência de ação real das direções políticas da esquerda.

Agora, a situação dá claros sinais de mudança. A necessidade absolutamente imperiosa de sair às ruas em defesa das reivindicações dos trabalhadores, em meio a uma crise sem precedentes, começa a ser compreendida conscientemente pelas organizações do movimento de massas. As decisões da III Plenária são uma forte expressão disso.

Tal mudança também não foi um raio em céu azul. Foi precedida, na verdade, por acontecimentos que já indicavam essa tendência. Os atos do dia 31 de março, em protesto às comemorações do golpe de 64, e o ato de 1º de maio, organizado pelo PCO, pelos Comitês de Luta e outras organizações, romperam a barreira da paralisia e serviram de prova real para demonstrar que os setores populares se deslocam à esquerda e esperam um chamado das direções para se mobilizar. Mostraram não só que a mobilização é possível, mas, principalmente, que a mobilização é uma tendência e uma necessidade.

As manifestações de rua chamadas pelo MTST no dia 7 de maio, logo depois do ato de 1º de Maio, e as manifestações em todo o País contra a chacina na favela do Jacarezinho, ocorridas imediatamente após o acontecimento e no dia 13 de maio, se inserem no mesmo marco e apontam para a mesma tendência.

É preciso estimular, desenvolver, levar às últimas consequências essa tendência que agora atingiu um novo patamar. Para tanto, é preciso criar um estado de mobilização permanente. Se quisermos trazer à tona uma verdadeira mobilização, temos que pôr em marcha um movimento permanente, desencadear ações sequenciais, temos que criar um agitação e propaganda políticas permanentes, nas cidades, bairros, locais de trabalho para, então, fazer atos e manifestações que sejam sempre maiores que os anteriores.

Nesse sentido, devemos aproveitar os atos do dia 26 e 29 para ampliar as mobilizações, fortalecer as tendências de luta do povo, e, dessa forma, prepararmos o ato nacional chamado pelo PCO e pelos Comitês de Luta para o dia 3 julho.

Em consonância com as deliberações da Plenária, os atos devem ter como eixo o Fora Bolsonaro e todos os golpistas e devem levantar as reivindicações mais imediatas e fundamentais da população: vacinação imediata para todos, quebra das patentes das vacinas, redução da jornada sem redução salarial para combater o desemprego, auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo, e assim por diante.

A hora, agora, é de colocar o povo na rua. É hora de mostrar para a direita e para a extrema direita o que o povo realmente quer. É hora de colocarmos toda a nossa energia no desenvolvimento do movimento popular e na radicalização das massas.

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