Dia 19 de junho de 1954: a Guatemala sofre o primeiro golpe de estado da CIA na América Latina

No dia de hoje na história, relembramos o 19 de junho de 1954, quando se iniciou o conflito armado que desencadearia uma semana depois, dia 27, no primeiro golpe de Estado orquestrado pela Central Intelligence Agency (CIA) na América Latina, contra o governo democraticamente eleito de Jacobo Arbenz Guzmán, na Guatemala. A operação conspiratória foi denominada PBSUCESS, e tinha a finalidade de derrubar o governo por conta de suas reformas democráticas, que a CIA considerou como atribuídas aos comunistas, se transformando em regra daí para frente para derrubar todo o tipo de governo que apontasse qualquer tipo de nacionalismo anti-imperialista, como Guzmán, que defende reformas como a reforma agrária, que é pauta da revolução burguesa de diversos países.

Presidente eleito discursa antes de sofrer o golpe

As acusações atribuídas ao governante eleito foram, como não poderia deixar de ser no período inicial da Guerra Fria, de influência soviética, e que, da reforma agrária, se desdobraria na apropriação de terras não utilizadas de corporações privadas, sendo distribuídas para os camponeses pobres.

A operação durou de finais de 1953 até 1954, sendo planejada para armar e treinar um “exército de libertação” como seria feito pouco tempo depois também contra os revolucionários em Cuba. 

Esta propaganda se deu pelos jornais ligados aos EUA, articulados por associações como a Liga Norte-americana da Liberdade, a Associação Nacional de Industriais e os Cavaleiros da Ku Kux Klan, unindo uma extrema-direita racista e industriais que apoiaram os nazistas na Segunda Guerra Mundial, em torno da falácia da luta pela “destruição da ameaça comunista” na América. Deixaram que Castillo Armas escapasse, pois estava preso por rebelião em outra oportunidade e o levaram a Honduras para treiná-lo livremente, equipá-lo com recursos de empresas norte-americanas e com o apoio de Somoza na Nicarágua. Armas recebeu armamento e dinheiro para recrutamento de 400 mercenários.

As agressões armadas se deram da passagem do dia 18 para 19, onde, após diversas manobras de grupos empresarias norte-americanos para forçar a economia e a opinião internacional, o presidente inicia a expropriação em resposta às ameaças e atende o pedido de armas do povo. O imperialismo força mais, e em 25 de junho envia um ultimato a Arbenz, para renunciar ao poder. Porém, o povo se organiza ainda mais e clama pelo armamento, que, imediatamente, o presidente ordena que sejam entregues às organizações populares.

Um dos revezes da luta popular foi que, como veremos em todos os golpes orquestrados pelo imperialismo norte-americano, o chefe das forças armadas já tinha sido comprado para trair seu próprio povo. A guerra se espalha pelo pequeno país e  os relatos dão conta de que povoados do oriente do país ardiam em chamas e os bairros centrais da capital eram atacados pelo exército. Sabe-se também que em Puerto Barrios foram fuzilados 12 dirigentes sindicais da United Fruit (empresa americana que pediu indenização pela expropriação de seu monopólio no país).

Por fim, a embaixada dos EUA após organizar toda essa caça aos trabalhadores, e não só aos comunistas, força o xeque-mate e da um segundo ultimato a Arbenz, que, em 27 de junho, às 9 da noite, renuncia.

O embaixador golpista dos EUA entra e controla o poder, instituindo uma junta de governo provisório para caçar os “comunistas” por todo o território e pouco tempo depois declaram Carlos Castillo Armas como presidente golpista da república-  não eleito. Esse foi o primeiro golpe que inaugurou um prolongado período de décadas de terror, derramando sangue dos trabalhadores, camponeses pobres, estudantes, por todo o território americano. O imperialismo norte-americano, apenas em relatos oficiais – sabendo que as ditaduras e golpes destruíram documentos sobre os assassinatos, torturas e todo tipo de genocídio cometido por eles – causou um saldo de 200 mil assassinatos e desaparecimentos políticos.