Dia 18 de junho de 1953: Proclamação da República do Egito

A última página da história da monarquia egípcia começou a ser virada um ano antes da proclamação da república do país, no dia 18 de junho de 1953. Denominado pela direita de “golpe”, os militares nacionalistas tomaram o poder pouco menos de um ano antes, em 23 de julho de 1952, levando a cabo a “Revolução Egípcia de 1952”, que ficou conhecida historicamente como a “Revolução de 23 de Julho”. O grupo de jovens oficiais do exército que se nomeou como “Movimento dos Oficiais Livres”, iniciou uma organização para a derrubada do rei Faruk I, que, no poder desde 1936, servia como governo fantoche do imperialismo britânico, onde, após uma série de calorosos debates os revolucionários decidiram enviar o monarca para o exílio na Itália.

Inicialmente, vale analisar as ambições políticas do movimento que tinha como norte a abolição da monarquia constitucional, uma aristocracia do Egito que se estendia ao Sudão, e tendo como finalidade imediata, estabelecer uma república para acabar de vez com a ocupação britânica no país. Além disso, garantir a independência do Sudão, que até o momento era governado pelo rei egípcio, sob o jugo do conhecido controle da região onde o imperialismo detém seu fantoche.

Neste assenso nacionalista, o movimento foi composto por membros de várias correntes políticas que formaram a Sociedade dos Oficiais Livres: socialistas, nacionalistas e até participantes da organização islâmica Irmãos Muçulmanos. A liderança que aparece na época foi a de Gamal Abdel Nasser, filho de um funcionário público egípcio, que após sua formação na Academia Militar começou a recrutar forças revolucionárias entre seus correligionários. Assim como Nasser, esses oficiais do movimento vinham de famílias simples e, através da carreira na Academia Militar, ascenderam a “nova elite” que, ironicamente, foi gerada pelas estruturas de poder organizadas pelos ingleses no país.

Por trás dessa movimentação revolucionária, estava, por um lado, a rejeição aos ingleses que controlavam a economia e mantinha o país ajoelhado, e, por outro, a intenção de proclamar a “verdadeira independência egípcia”, também pautada sobre o assalto colonialista e imperialista (principalmente na ação de assalto do Canal de Suez). Uniu-se a essa tensão regional, a fundação do Estado de Israel, em 1948, pelo imperialismo norte-americano, aumentando ainda mais as ameaças sobre os países que tentavam obter sua independência econômica ou política. Posto como um grande desafio para os novos detentores do poder, esse ataque aberto ao Estado judaico, colocou ainda mais pólvora sobre  sobre o mundo árabe, e demonstra bem que o discurso de paz dos imperialistas é extremamente demagógico. Como mais essa manobra para garantir influência no Oriente Médio, fica claro que os chamados “bárbaros invasores, são os colonizadores de sempre.

Dessa forma, no confronto com os britânicos, que ocupavam o Egito desde 1882, os revolucionários atingiram também os interesses da França, pois ambos são países colonialistas da região, e sendo assim, havia um  grande receio de que o crescente sentimento nacionalista se espalhasse por territórios sob seu controle no mundo árabe e pela África.

Frente a situação de servidão da economia egípcia, o governo revolucionário tomou a postura nacionalista, anti-imperialista, desdobrando – como temiam os imperialistas – em um movimento nacionalista por todo o mundo árabe e desalinhando internacionalmente países serviçais e até mesmo ainda colonizados.

Mesmo com grande perdas militares, a guerra foi vista como uma vitória política para o Egito, pois conquistou o domínio completo sobre o Canal de Suez pela primeira vez desde 1875. Essa questão do canal é importante para o país pois anteriormente era vista como um sinal de humilhação nacional, o que reforçou ainda mais o apelo da revolução em outros países árabes e africanos.

Este levante, alertou os países imperialistas que voltaram seus olhos sobre a situação de assenso árabe, aumentando exponencialmente o intervencionismo imperialista sobre esses países desde então até os dias de hoje.