Dia 04 de julho de 1932: República Socialista no Chile entra e é desfeita como "relâmpago"

“A república socialista será uma república de trabalhadores não de escravos, mas de trabalhadores dignos, livres e conscientes.”
Eugenio Matte Hurtado, junho de 1932.

 

No dia de hoje na história, lembramos do ano de 1932, onde, após a crise econômica de 1929 nos EUA, gerando reflexos revolucionários por todo o globo, no Chile, o novo governo de Juan Esteban Montero encontrou-se em sérias dificuldades para enfrentar o impacto da chamada Grande Depressão. Com o alto nível de instabilidade, levando a graves transtornos econômicos e sociais, foi acrescentada a ação de movimentos conspiratórios, resultado direto da Revolução Russa em todo o movimento operário mundial, que neste caso, buscavam a queda de um governo rotulado como ineficiente e impopular.

Junta Militar socialista que assumiu o governo em crise

Seguindo cronologicamente, em 4 de junho de 1932 se organiza um movimento cívico militar que uniu jovens socialistas, liderados pelo advogado Eugenio Matte Hurtado, sendo adeptos do coronel militar Marmaduke Grove e partidários do ex-presidente Carlos Ibáñes de Campo e reunidos em torno da figura do ex-comandante nacional Carlos Dávilla. Esses militares barricaram-se em frente a base da Força de Área de El Bosque e exigiram a renúncia do presidente Juan Esteban Montero. Com sucesso na operação, na mesma noite tomam o poder com uma Junta de Governo formada pelo general Arturo Puga, Eugênio Hurtado e o próprio Dávilla e proclamaram a “República Socialista do Chile”.

Embora tenha sido uma experiência política de curta duração, a República Socialista foi fundamental para a construção de uma única referência, que reunisse todos os movimentos e coletivos que defendiam as idéias socialistas. Essa coalizão de luta funda em 1933 o Partido Socialista de Chile (PS), em 19 de abril de 1933 numa fusão de vários grupos socialistas que surgiram no primeiro terço do século XX.

Segundo as fontes históricas houve uma grande divisão de opiniões no momento político, levando muitos a se afastarem de Dávila que ficou isolado, vendo que seu governo corria perigo. Essa confusão se deu em grande medida pelas disputas internas do bloco de esquerda, uma expressão dos rumos em meio à grande crise econômica que levou a um forte “racha” dentre os próprios militares. As medidas de censura à imprensa burguesa e fortalecimento das estatais, foram utilizadas à favor e contra o governo socialista e, nessa ausência de apoio, Carlos Dávila renuncia em 13 de setembro de 1932. Imediatamente, o general Bartolomé Blanche assumiu o comando do país, convocando eleições presidenciais e parlamentares. Foi o fim da utópica “República Socialista do Chile”.