20 de junho de 1963: o "telefone vermelho" em meio à Guerra Fria

A expressão “Telefone Vermelho”, também conhecida como “Hotline”, ou Moscow – Washington Hotline, como viria a ser conhecida), foi criada em 20 de junho de 1963 durante o Comitê de Desarmamento das Nações na cidade de Genebra, Suíça. A crise gerada no pós-guerra, polarizou o mundo dentro de uma “guerra-fria”, e, para criar “garantias” de não agressão, ou, no caso, para esfriar os ânimos, se elaborou um “Memorando de Entendimento Relativo à Criação de uma Linha Direta de Comunicação”, assinado por representantes da União Soviética e dos Estados Unidos.

A necessidade veio à tona após a conhecida Crise dos Misses em Cuba, onde ficou claro que a comunicação direta entre as duas potências nucleares era uma necessidade. Durante esse período, os Estados Unidos levaram quase 12 horas para receber e decodificar a mensagem com 3000 palavras de Nikita Khruschev, então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, o que era considerado um tempo perigosamente longo em se tratando da estratégia nuclear.

Mais especificamente, o fato cabal se deu da seguinte forma: os Estados Unidos elaboravam uma resposta mais dura para Moscou, que, pouco depois foi respondida exigindo que os mísseis americanos fossem removidos da Turquia. Essa ordem dos soviéticos levou os assessores da Casa Branca a somarem os números e fecharem a conta de que a crise poderia ter sido resolvida e até evitada se a comunicação tivesse sido mais rápida. Na época, esta ligação foi criptografada utilizando as informações teoricamente seguras do criptossistema one-time pad.

A figura do telefone vermelho foi utilizada em diversos filmes e séries desde então, ficando famoso por criar momentos de tensão onde o público suspirava fundo nas salas de cinemas pelo mundo, sem saber o que de fato aconteceria tanto na película quanto na vida real. Um dos principais filmes sobre a linha secreta, foi “Dr. Strangelove”, de Stanley Kubrick, lançado imediatamente após o surgimento do telefone, em 29 de janeiro de 1964, nos EUA, trazendo na trama um general insano que acredita que os comunistas planejam dominar o mundo, e, sendo assim, dá ordens para bombardear a Rússia, iniciando processo de guerra nuclear. Ao mesmo tempo, o presidente e seus assessores do Pentágono tentam desesperadamente parar o processo. Foi premiado pelo BAFTA de Cinema na categoria de melhor filme.