19 de julho de 1979: Sandinistas derrubam ditadura de Somoza e expulsam EUA

No dia 19 de julho de 1979, a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua), travou um embate feroz contra a Guarda Nacional em Manágua, capital do país, tomando assim,  o comando do poder que estava a 45 anos sob comando da ditadura somozista. As funções imediatas são assumidas pela Junta de Reconstrução Nacional, comandada por Tomás Borge que era o único fundador vivo da FSLN.

Como muitas das “Repúblicas de Banana” da América Central, a Nicarágua foi invadida pelos EUA, em 1912, tomada pelos militares imperialistas. A finalidade de sempre, derrubar um governo nacionalista, articulando um golpe, chamado de “rebelião”, que neste caso foi militar contra o então presidente, José Santos Zelaya. E como nacionalista, não poderia continuar no poder – como tantos outros derrubados pela América e hoje novamente no país acontece -, sendo preso pelo Exército golpista enquanto dormia no Palácio presidencial, em 28 de junho, e posteriormente foi expulso do país. O Congresso golpista declarou vaga a presidência, ocupada posteriormente por Micheletti, que articulou nova Constituinte seguindo os interesses exteriores e criando uma “Guarda Nacional” treinada pelos próprios EUA. O chefe da “Guardia”, era o militar, Anastasio Somoza Garcia, que após alguns episódios, tomará o poder, imprimindo um ditadura violenta contra o povo.

Com a dominação exterior golpista, se erguem as forças revolucionárias, organizadas por Augusto César Sandino. A situação de invasão do país, resultou num apoio amplo do povo, fortemente oposto aos EUA, mas que, mesmo unindo todas as tendências de indignação, não teve a grande massa nas tropas em si. Sandino combateu de forma heróica até que foi morto por Somoza em um ataque traiçoeiro, que, lances à frente, derrubou o presidente e implantou a ditadura.

Como ditador e capacho dos norte-americanos, Somoza chegou a se tornar o maior latifundiário do país, imprimindo forte repressão contra a população que se colocasse contra a ditadura. Acabou assassinado, e seu filho Anastasio Somoza Debayle se tornou presidente, sendo um capacho tão grande como seu pai dos EUA, chamado “carinhosamente” por Roosevelt de “nosso filho da puta”, enriquecendo com o dinheiro que lhe foi entregue para reconstruir a Nicarágua depois de um terremoto em 1972.

Sobre a FSLN, em 1961 foi articulada por Carlos Fonseca Amador, Carlos Borge e Silvio Mayorga, desdobramento de movimentos estudantis dos anos 1940 e 1950 e inspirada na grande resistência popular das décadas de 1920 e 1930 contra a aliança entre a oligarquia nacional e os interesses imperialistas, à época sob o comando de Augusto César Sandino. Após sofrer várias derrotas, somaram experiências e aumentaram sua influência, garantindo grande apoio rural e urbano que nas ações de 1966-67, expropriaram bancos. Em 1978, a FSLN tomou o Palácio Nacional, fazendo cerca de 2 mil reféns, ação que desmoralizou a Guarda Nacional. No começo de 1979, conquistaram diversas vitórias em frentes do campo em cidade, imprimindo uma ofensiva final que fez Somoza fugir do país.

O país sofreu quatro décadas de violência da Guardia Nacional, que foi a base do poder dos Somoza, e foram altamente financiados pelos EUA como aliados contra os trabalhadores, suas organizações e o comunismo.