16 de julho de 1917 no Brasil: fim da greve geral em São Paulo

No dia dia 16 de julho de 1917, onde os trabalhadores brasileiros decretaram o fim da grande Greve Geral, que ficou conhecida pela paralisação geral da indústria e do comércio do Brasil. Como resultado da constituição de organizações operárias caracterizadas como anarcosindicalista, os operários gráficos, liderança da greve, articularam uma imprensa operária para denunciar as péssimas condições de trabalho. O sindicato dos Gráficos tiveram um destaque na greve com lideranças importantes como João Jorge da Costa Pimenta, operário gráfico, trotskista, que fundaria em 1922 o Partido Comunista Brasileiro.

Esta mobilização operária foi uma das mais abrangentes e longas da história do Brasil, tendo seu inicio no dia 12 de julho, abriu todo um processo de experiência de luta de classes no país, mostrando como as organizações da jovem classe operária (Sindicatos e Federações) podiam lutar, defendendo seus direitos de forma organizada e causando forte impacto na sociedade. 

Morte à repressão! Morte à repressão!”. Era o grito de comando dos operários que em julho de 1917 cruzaram os braços, desafiaram a polícia e tomaram conta da cidade.

O estopim da gigantesca mobilização veio da morte de um operário logo no início do movimento, o que levou os trabalhadores a pensar em se armar contra o assassinato da burguesia e e ir para as ruas de São Paulo. Os grevistas pediam regulamentação do trabalho de menores e mulheres, redução da jornada de trabalho – que se estendia até 12 horas – e garantias trabalhistas.

Para entender a questão é necessária uma análise econômica dos fatos, pois, nas primeiras décadas do século XX o Brasil aumentou suas exportações com o crescimento exponencial das fábricas. Porém, com o caos mundial gerado pela Primeira Grande Guerra Mundial, o país passou a exportar grande parte dos alimentos produzidos para os países da Triplice Entente, e, a partir de 1915 o nível dessas exportações afetou o abastecimento interno de alimentos, causando elevação dos preços da pequena quantidade de produtos disponíveis no mercado. Mesmo com o salário subindo pouco, o custo de vida aumentava de forma desproporcional, deixando os trabalhadores em más condições para sustentar suas famílias e fazendo com que as crianças precisassem trabalhar para complementar as rendas domésticas, uma situação de total precariedade.

Assim, os porquês desse movimento ter crescido tão rápido, se encontram exatamente no regime violento de trabalho imposto aos operários, pelo recente sistema de industrialização nas mãos dos grandes capitalistas. Além disso temos que nos lembrar que a maioria dos operários eram imigrantes italianos e espanhóis com um histórico de organização política anterior, dessa forma, grande parte tinha influências anarquistas e socialistas.

A greve geral aconteceu no mesmo ano em que os Bolcheviques ascendiam ao poder na Rússia, com a Revolução de outubro 1917. As revoluções, revoltas, greves, entre 1917-1923, formaram uma onda revolucionária levada a cabo pelo caos da Primeira Guerra Mundial (1915-1919) e no Brasil recebendo a influência dos revolucionários da futura União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Foi encerrada em comício no Largo da Concórdia.