15 de maio de 1943: há 75 anos, Stálin dissolvia a 3ª Internacional

Em 1943 a Terceira Internacional (Comintern) foi oficialmente dissolvida por Josef Stálin, atendendo à pressão dos “aliados” durante a Segunda Guerra Mundial. Praticamente dez anos antes, Leon Trotsky já havia anunciado a morte da Terceira Internacional ao apontar a necessidade de construção de uma nova organização internacional e de novos partidos comunistas.

Essa necessidade, de fundar uma nova Internacional, surgiu como fruto da derrota dos comunistas alemães para o nazismo, depois de adotar a política centrista imposta pela URSS por meio da Terceira Internacional que os levaria ao desastre. A derrota para o nazismo revelou que a Terceira Internacional tinha deixado de ser viável e já não era possível lutar por dentro dela para empurrá-la para uma luta revolucionária consequente.

Esse balanço foi feito em 1933, depois da ascensão de Hitler ao poder na Alemanha. Durante os anos anteriores, seguindo a política centrista da Terceira Internacional sob Stálin, o Partido Comunista Alemão (PCA) adotou uma série de políticas erradas diante da ofensiva nazista. Com a crise de 1929, Leon Trótski propôs uma política de Frente Única contra o fascismo. Esta política, no entanto, foi rejeitada pela ala esquerda estava no comando do partido. Esta ala rejeitou a política de Frente Única e passou a identificar todas as variantes da política burguesa como sendo fascistas ou próximas do fascismo. Tudo era “fascismo”, incluindo a social-democracia.
Esta mesma política foi seguida por Stalin. Após a derrota da Revolução Chinesa, a direção da Terceira Internacional, dirigida pela recém formada burocracia soviética, muda completamente de política. É a chamada “política do 3º período”. Propugnando a aliança com setores nacionalistas e reformistas (aliança com o Cuomitang na China), o Comitern adota uma política de tipo “esquerdista”, semelhante à da ala esquerda do PCA. Tal análise equivocada permite que o fascismo progrida sem que a classe operária consiga lhe opor grande resistência.
Mais uma vez, Stálin, o “grande organizador de derrotas”, leva o operariado à derrota. Desta vez, uma derrota decisiva para a situação política internacional. Em 1933, Hitler chega ao poder na Alemanha e esmaga a vanguarda da classe operária europeia e mundial. Neste momento, Stálin e a burocracia soviética tomam consciência do perigo de uma nova guerra mundial e, como acontece com a política pequeno-burguesa, mudam de orientação sem que isso signifique uma real mudança de posição política e muito menos um acerto na análise do que de fato ocorre.  Da política “esquerdista” do 3º período, a terceira Internacional passa a adotar a política da Frente Popular, que terá como expressão maior o governo francês que assume em 1936 e é resultado da aliança entre o Partido Socialista, o Partido Comunista e o burguês Partido Radical.

Fundada em 1919 por Lênin, a Terceira Internacional acabou sendo inutilizada sob a burocracia no comando da URSS a partir da última metade da década de 20 do século passado. Quando seu Comitê Executivo lançou um comunicado no dia 15 de maio de 1943 chamando à dissolução da organização, na prática ela já não existia faz tempo, destruída por uma série de derrotas e políticas equivocadas sob uma política centrista.