17 de julho de 1945: reunião em Potsdam para desnazificar a Alemanha

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Há 74 anos, iniciava-se na cidade de Potsdam, Alemanha, uma conferência com os líderes da Inglaterra (Winston Churchill), Estados Unidos (Harry Truman) e União Soviética (Josef Stálin) visando a definir a administração da
Alemanha e da Áustria, após sua rendição frente às forças aliadas em 8 de maio de 1945. Seus objetivos, após 15 dias de encontro, seriam resumidos em: desmilitarização, desnazificação, democratização, descentralização, desmantelamento e descartelização.

A Alemanha e a Áustria — bem como suas capitais, Berlim e Viena — seriam dividas em quatro zonas de ocupação; todos os criminosos de guerra nazistas seriam julgados em Nuremberg; todas as anexações territoriais feitas pela Alemanha sob o regime nazista seriam revertidas, incluindo a Região dos Sudetas, Alsácia-Lorena, Áustria e as Polônia Ocidental; a União Soviética receberia 10% do produto industrial alemão por dois anos, como compensação de guerra; estabeleceu-se que os padrões de vida da Alemanha não deveriam exceder a média da Europa; a indústria bélica alemã deveria ser destruída, e o país seria privado de ter exército organizado; a fabricação de bens de produção também seria controlada.

A França, excluída do tratado, resistiria em reconhecê-lo. Era, evidentemente, a divisão do butim industrial da guerra imperialista entre os vencedores, bem como o início da Guerra Fria.

Desnazificação

Do ponto de vista político, é de especial interesse o processo de desnazificação operado em toda a Alemanha nos meses seguintes. Cerca de um décimo da população alemã participara do Partido Nazista — oito milhões e meio de pessoas –,afora os simpatizantes envolvidos na Liga de Mulheres Alemãs ou a Juventude Hitlerista e outras similares. O objetivo inicial de investigar o nível de participação de cada indivíduo nas atrocidades do nazismo logo tornou-se inviável.

Acresce que inúmeros cientistas e técnicos a serviço das forças alemãs seriam incorporados a diversos setores das indústrias bélicas dos aliados. Eisenhower estimaria que, se o processo fosse levado a cabo com todos os cidadãos, escrupulosamente, demoraria 50 anos para ser concluído.

Em todo caso, o processo foi implacável com toda a simbologia, a cultura e as instituições nazistas. A suástica seria proibida e removida onde quer que fosse encontrada. O governo do Reich, o Partido Nazista (NSAP), a SS, a Gestapo, a SA, o Estado-Maior e o Comando Supremo da Wehrmacht seriam consideradas organizações criminosas. Nos julgamentos de Nuremberg, levados a cabo até 1949, seriam sentenciadas 24 pessoas, com a pena capital aplicada a 12 líderes.

A população teria que preencher um formulário (Meldebogen) a ser entregue à justiça em que seriam encaixadas em cinco categorias:

• Pessoas exoneradas: sem sanções;

• Seguidores: restrições em viagens, empregos, direitos políticos, aplicação de multas;

• Criminosos menores: colocados em liberdade condicional por 2 a 3 anos;

• Criminosos: ativistas, militantes, beneficiários, envolvidos: sujeitos à prisão imediata por até 10 anos, com trabalhos forçados de reparação ou reconstrução;

• Criminosos maiores: sujeitos à prisão imediata ou morte.

As consequências culturais e morais de tais punições foram enormes. Há que se refletir, porém, se de fato o Imperialismo pretendeu desnazificar ou desfascistizar os povos, ou se as punições e os diversos museus e memoriais do Holocausto e da Guerra serviram apenas para purgar o peso da consciência de todos os envolvidos.

Com a intensificação recente da crise capitalista, o imperialismo voltou a fazer uso do fascismo, e mesmo na Alemanha grassam os movimentos similares aos de Hitler. Em diversos países periféricos, como a Ucrânia ou o Brasil, surgem regimes dirigidos por nazistas declarados, caso de Petro Poroshenko e de Jair Bolsonaro. Os criadores dos cães raivosos do nazismo, ontem e hoje, são os banqueiros, fazendeiros, industriais e grandes proprietários de terras e imóveis: é a burguesia. As mesmas corporações que financiaram o nazismo na década de 1930 estão na ativa ainda hoje, possivelmente repetindo a empreitada: Bayer, Krupp, Schindler, BMW etc..

Não se trata de um fenômeno psicológico individual, ou de uma suposta cultura do ódio. Trata-se de um recurso da burguesia para perseguir e exterminar as organizações populares e suas lideranças. Nenhuma campanha de conscientização protegerá qualquer sociedade de tal flagelo até que a burguesia tenha sido vencida e a classe operária tome o poder em países centrais, como a própria Alemanha.