Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
L_to_R,_British_Prime_Minister_Winston_Churchill,_President_Harry_S._Truman,_and_Soviet_leader_Josef_Stalin_in_the..._-_NARA_-_198958
|

Há 74 anos, iniciava-se na cidade de Potsdam, Alemanha, uma conferência com os líderes da Inglaterra (Winston Churchill), Estados Unidos (Harry Truman) e União Soviética (Josef Stálin) visando a definir a administração da
Alemanha e da Áustria, após sua rendição frente às forças aliadas em 8 de maio de 1945. Seus objetivos, após 15 dias de encontro, seriam resumidos em: desmilitarização, desnazificação, democratização, descentralização, desmantelamento e descartelização.

A Alemanha e a Áustria — bem como suas capitais, Berlim e Viena — seriam dividas em quatro zonas de ocupação; todos os criminosos de guerra nazistas seriam julgados em Nuremberg; todas as anexações territoriais feitas pela Alemanha sob o regime nazista seriam revertidas, incluindo a Região dos Sudetas, Alsácia-Lorena, Áustria e as Polônia Ocidental; a União Soviética receberia 10% do produto industrial alemão por dois anos, como compensação de guerra; estabeleceu-se que os padrões de vida da Alemanha não deveriam exceder a média da Europa; a indústria bélica alemã deveria ser destruída, e o país seria privado de ter exército organizado; a fabricação de bens de produção também seria controlada.

A França, excluída do tratado, resistiria em reconhecê-lo. Era, evidentemente, a divisão do butim industrial da guerra imperialista entre os vencedores, bem como o início da Guerra Fria.

Desnazificação

Do ponto de vista político, é de especial interesse o processo de desnazificação operado em toda a Alemanha nos meses seguintes. Cerca de um décimo da população alemã participara do Partido Nazista — oito milhões e meio de pessoas –,afora os simpatizantes envolvidos na Liga de Mulheres Alemãs ou a Juventude Hitlerista e outras similares. O objetivo inicial de investigar o nível de participação de cada indivíduo nas atrocidades do nazismo logo tornou-se inviável.

Acresce que inúmeros cientistas e técnicos a serviço das forças alemãs seriam incorporados a diversos setores das indústrias bélicas dos aliados. Eisenhower estimaria que, se o processo fosse levado a cabo com todos os cidadãos, escrupulosamente, demoraria 50 anos para ser concluído.

Em todo caso, o processo foi implacável com toda a simbologia, a cultura e as instituições nazistas. A suástica seria proibida e removida onde quer que fosse encontrada. O governo do Reich, o Partido Nazista (NSAP), a SS, a Gestapo, a SA, o Estado-Maior e o Comando Supremo da Wehrmacht seriam consideradas organizações criminosas. Nos julgamentos de Nuremberg, levados a cabo até 1949, seriam sentenciadas 24 pessoas, com a pena capital aplicada a 12 líderes.

A população teria que preencher um formulário (Meldebogen) a ser entregue à justiça em que seriam encaixadas em cinco categorias:

• Pessoas exoneradas: sem sanções;

• Seguidores: restrições em viagens, empregos, direitos políticos, aplicação de multas;

• Criminosos menores: colocados em liberdade condicional por 2 a 3 anos;

• Criminosos: ativistas, militantes, beneficiários, envolvidos: sujeitos à prisão imediata por até 10 anos, com trabalhos forçados de reparação ou reconstrução;

• Criminosos maiores: sujeitos à prisão imediata ou morte.

As consequências culturais e morais de tais punições foram enormes. Há que se refletir, porém, se de fato o Imperialismo pretendeu desnazificar ou desfascistizar os povos, ou se as punições e os diversos museus e memoriais do Holocausto e da Guerra serviram apenas para purgar o peso da consciência de todos os envolvidos.

Com a intensificação recente da crise capitalista, o imperialismo voltou a fazer uso do fascismo, e mesmo na Alemanha grassam os movimentos similares aos de Hitler. Em diversos países periféricos, como a Ucrânia ou o Brasil, surgem regimes dirigidos por nazistas declarados, caso de Petro Poroshenko e de Jair Bolsonaro. Os criadores dos cães raivosos do nazismo, ontem e hoje, são os banqueiros, fazendeiros, industriais e grandes proprietários de terras e imóveis: é a burguesia. As mesmas corporações que financiaram o nazismo na década de 1930 estão na ativa ainda hoje, possivelmente repetindo a empreitada: Bayer, Krupp, Schindler, BMW etc..

Não se trata de um fenômeno psicológico individual, ou de uma suposta cultura do ódio. Trata-se de um recurso da burguesia para perseguir e exterminar as organizações populares e suas lideranças. Nenhuma campanha de conscientização protegerá qualquer sociedade de tal flagelo até que a burguesia tenha sido vencida e a classe operária tome o poder em países centrais, como a própria Alemanha.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas