Dia 24: dia chave da luta contra o golpe

Rui Costa Pimenta fala sobre o oportunismo da esquerda pequeno-burguesa, que sonha com a prisão de Lula e o fim do PT, pensando que irão herdar os votos dos trabalhadores.

“Dá para entender qual é a nossa posição no dia 24. Primeiramente que nós estamos diante de um problema chave na luta contra o golpe. Não se trata da pessoa do Lula, para nós não se trata nem da candidatura. A palavra de ordem do PT induz ao erro, ‘Eleições sem Lula é fraude é golpe’. Se o Lula for preso não é simplesmente que ele não vai participar das eleições, embora isso seja um aspecto importante da coisa, é um ataque contra toda a esquerda, a esquerda nacional adquiriu, neste sentido, uma estranha confiança, normalmente no movimento operário sempre se pensou assim, se a burguesia pegar um determinado operário e prendê-lo por motivos políticos e ninguém falar nada, isso aí vai criando um clima, vai criando as condições políticas para prender outro, outro, depois interditam um sindicato, depois isso, depois aquilo, veja que eu estou falando de um simples operário, um operário qualquer, aí de SP, do ABC, de Osasco.

Logicamente, se a burguesia vai lá e prende um presidente de um sindicato, pior ainda, porque o ataque ao movimento operário é de maior vulto, ele já não é um simples operário, ele é presidente de uma organização que representa, sei lá, alguns milhares de operários, ou muitos milhares de operários, então o ataque é ainda maior, se prender o presidente da CUT, bom, aí já é um ataque gigantesco, bom, se prender o Lula que foi eleito com os votos dos trabalhadores, em duas eleições e foi o principal cabo eleitoral de Dilma Roussef em outras duas, é um ataque gigantesco aos trabalhadores, isso é uma coisa que é lógica, todo mundo sabe disso aí, em qualquer país do mundo, todo mundo ia olhar e falar, não, isso aí é grave, você normalmente nem pergunta quem é que está sendo atacado.

Todo mundo entende que se trata da defesa de uma classe social, das organizações desta classe social, aqui, a esquerda, com uma artimanha sectária, que é a seguinte, eu não concordo com as posições do Lula, se for assim, nós não podemos defender a classe operária, nós só podemos defender a nossa capelinha politica, eu tenho um grupo, o grupo tem 6 pessoas, se atacarem aquele cara lá, eu não concordo com ele, só se atacarem este seis do meu grupo, é que atacam a classe operária. Isso não é normal, isso é totalmente absurdo, isso é uma posição de uma seita religiosa, não de um partido de classe, nós temos que entender que uma classe social ele se manifesta de maneira muita ampla, e você nunca vai concordar com todas as lideranças desta classe social, e se a pessoa é líder dessa classe social, haverá de ter algum motivo, é uma ligação dele com a classe social, este é o problema fundamental, o ataque contra Lula é um ataque contra a classe operária, uma coisa óbvia. Mas aí a esquerda inventou isso aí, não, eu não concordo, bom primeiramente o argumento é cínico, foi só o Lula que governou com partidos burgueses e golpistas? O governo do PSOL do Amapá com quem que era?

O pessoal da burguesia que financiou a campanha do PSOL, no RS, Gerdau, o supermercado, a Odebrecht que financiou a ONG da Luciana Genro, é uma hipocrisia isso aí, uma hipocrisia que revela que na realidade não querem defender Lula por motivos de uma política totalmente equivocada e anti-operária, em primeiro lugar, porque uma parte está profundamente influenciada pela direita, o imperialismo, e uma outra parte por que o pessoal vê o Lula como concorrência, na esquerda brasileira vigora neste momento uma coisa hedionda, que é a seguinte, a medida que o PT está sendo atacado pela direita, as outras organizações do ponto de vista da versão mais bondosa que a gente puder estabelecer. Elas estão procurando preencher o vácuo eleitoral do PT, como se o eleitorado do PT fosse um eleitorado artificial, aí a burguesia ataca o PT e o eleitorado vai se deslocar para o PSOL,PCB, PSTU e etc, lógico que não, não é assim que funciona as coisas. Esquecem a defesa dos interesses mais relevantes da classe trabalhadora de conjunto diante de uma situação politica.”

Assista à Análise Política da Semana, com o companheiro Rui Costa Pimenta, todos os sábados às 11h30, na Causa Operária TV.