Dia 15: ocupar Brasília pela candidatura de Lula

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No dia 15 de agosto, em Brasília, será registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República. É o momento de mobilizar pessoas de todo o país para ir à Capital Federal garantir a candidatura de Lula. Cabe a todos nós organizar as caravanas!

O golpe de estado em curso no Brasil nada mais foi que uma expressão da acirrada da luta de classes que evolui diante da crise capitalista. Com a articulação do impeachment fraudulento de Dilma Rousseff em 2016, o imperialismo deu a demonstração cabal de que levará a cabo qualquer ilegalidade, qualquer manipulação, qualquer ruptura institucional necessária para aprofundar os ataques à população da América Latina e do Brasil, de modo a defender os interesses das grandes corporações e bancos internacionais, contra os interesses da maioria do povo. Desde que se iniciou o processo golpista, ficou claro que somente a mobilização popular pode deter o avanço dos ataques contra o estado brasileiro, contra o patrimônio nacional, contra os direitos dos trabalhadores.

Ao iniciar o golpe, o imperialismo não visava apenas as reformas no regime fiscal e na legislação trabalhista já conduzidas pelo governo Temer. O imperialismo quer aprofundar muito mais os ataques, até submeter completamente o orçamento federal aos banqueiros, até privatizar todos os serviços sociais e a Educação do país, até levar a população brasileira à miséria. A estabilidade do imperialismo no mundo depende da debilidade das organizações populares. Por isso, a intenção golpistas é destrui-las, perseguindo judicialmente suas lideranças. No Brasil, Lula é a expressão máxima dessa perseguição: sua capacidade de articulação conferiu-lhe um enorme poder – como o demonstra a sua indiscutível liderança nas pesquisas de intenção de voto, em que ele conta com praticamente metade da preferência do eleitorado.

Não está nos planos dos golpistas entregar a condução política nacional às mãos de lideranças de trabalhadores, como Lula. Ao contrário. Trata-se de legitimar os ataques à população por meio de um processo eleitoral viciado.

A prisão de Lula, por isso, é um fenômeno puramente político, em que as instância judiciais se colocam apenas como instrumentos para uma disputa de forças mais ampla – envolvendo a mobilização popular, a burguesia nacional e o imperialismo. Lula está preso nas masmorras de Curitiba há mais de 100 dias para que não possa liderar o PT, para que não possa fazer campanha, para que não possa falar em público, para que o golpe se aprofunde. Libertar Lula e garantir sua candidatura é, portanto, a tarefa central do momento para todos os que lutam contra o golpe e defende os interesses dos explorados.

Todo a Brasília!

Os defensores do chamado “Plano B” da esquerda burguesa e pequeno burguesa advogam que se apoiem candidatos inexpressivos como Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB); elementos ligados à direita golpista, como Ciro Gomes (hoje no PODT) ou mesmo correligionários do próprio PT como uma “alternativa eleitoralmente viável” à defesa da candidatura de Lula.

Um processo em que o principal candidato está preso é ilegítimo, representando justamente o aprofundamento do golpe. Aceitar o “Plano B”, portanto, é capitular ao imperialismo e criar a ilusão de conciliação com a mesma burguesia que vem cada vez mais atacando a população.

Diante dessa situação, o PT, a CUT e muitas organizações dos movimentos populares estão propondo levar dezenas de milhares de manifestantes às ruas de Brasilia no dia 15 de agosto próximo – data do registro da candidatura de Lula.

Comitês de Luta contra o Golpe de todo o país, reunidos em Conferência Aberta nos últimos dias 21 e 22 de julho em São Paulo, tiraram como principal resolução a realização de um gigantesco ato nessa data na Capital Federal. É hora de fortalecer os próprios comitês por meio dessa grande atividade nacional, estreitando os laços políticos dos participantes desses coletivos e, na via inversa, aumentando sua capilaridade junto à comunidade.

Organize sua caravana!

Já faz parte de um comitê de luta contra o golpe, pela liberdade de Lula etc.? Verifique se ele está cadastrado junto ao movimento nacional de luta contra o golpe em www.lutecontraogolpe.com.br. Se for o caso, entre em contato e cadastre o seu grupo!

Faça uma ampla chamada para reunir seu comitê o quanto antes numa plenária organizativa, agregando mais militantes ainda. Porém, para uma convocação bem-sucedida – tanto para a reunião prévia quanto para a caravana –, não basta fazer uma chamada pública e comprar sua passagem.

Para a convocação, faça uma lista de membros do comitê e de ativistas próximos, e entre em contato individualmente com cada um deles.

Articule o aluguel de um ônibus, levante os custos da viagem e faça a convocação da militância.  No comitê, discuta uma campanha de arrecadação e contribuições para a viagem. Pode haver pessoas sem recursos financeiros, mas com tempo e disposição para participar da caravana e conseguir os recursos necessários. Por outro lado, haverá também pessoas que dispõem de recursos, mas se vêm impossibilitadas de realizar a viagem. Pode-se então, no próprio processo de convocação, propor “adoção” financeira total ou parcial de participantes da caravana. Garante-se assim não apenas um ato bem sucedido, mas também o aumento da coesão política e do envolvimento dos militantes do comitê!