DF: ativista dos direitos das mulheres é ameaçada de morte pela extrema-direita

debora-diniz

O Ministério Público do Distrito Federal pediu proteção para a antropóloga e professora da UnB, Débora Diniz, que vem sofrendo ameaças de morte, xingamentos e ofensas, por ser ativista em defesa do direito das mulheres de realizar aborto. Ela já havia registrado queixa na Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam), que apura o caso.

O MP/DF solicitou ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH) a inclusão da professora da Universidade de Brasília (UnB), Débora Diniz, no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), do governo federal.

Débora Diniz trabalha na Faculdade de Direito da UnB e foi escolhida, em 2016, como um dos 100 pensadores globais pela revista norte-americana Foreign Policy, por pesquisas sobre grávidas infectadas pelo zika vírus. Ela estuda temas como feminismo, bioética, direitos humanos e saúde.

As ofensas e ameaças começaram pelo trabalho de Diniz no Anis — Instituto de Bioética, organização feminista que atua na pesquisa e defesa dos direitos humanos. O Anis defende a descriminalização do aborto e teve papel importante para a realização de audiências públicas relacionadas ao tema, como a que ocorrerá no início de agosto no STF, com a participação da antropóloga.
As ameaças e xingamentos foram feitos por meio de mensagens em redes sociais e ligações. Uma das postagens, em página do Facebook com cerca de nove mil seguidores, tem a foto da professora e um texto sobre o ativismo dela pela regularização do aborto. A mensagem chama Débora de monstro. O post teve dezenas de comentários e mais de 800 compartilhamentos (diversos deles acompanhados por mais ofensas).