Com apoio da justiça
Acordo entre e judiciário, governo do estado e fazendeiros levou à ação brutal da policia contra o Quilombo Campo Grande. Outros acampamentos estão sob risco
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Ação policial, apoiada pela justiça e pelo governador Zema, destruiu acampamento em Minas | Foto: Isabelle Medeiros/ Mídia NINJA

A ação criminosa, fascista, promovida pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO) contra um acampamento do Movimento Sem-Terra localizado no sul do estado, teve a colaboração direta do judiciário estadual, mais especificamente do juíz Walter Zwicker Esbaille Junior, quem concedeu a liminar favorável à ação da PM, além de ter como objetivo final beneficiar diretamente o latifúndio, ligado à produção de café.

Usina falida, trabalhadores abandonados

A área onde se situa o quilombo Campo Grande fora, até o final da década de 1990, parte da usina Ariadnópolis. Construída no início do século XX, a usina teve seu maior pico produtivo nos anos de 1970, após o Programa Pró Alcool, estabelecido pela ditadura militar.

Os incentivos financeiros à usina, no entanto, não eram convertidos em melhoria das condições de trabalho dos trabalhadores. Sempre houveram denúncias de superexploração do trabalho, com jornadas de 12 horas por dia, o emprego de mão de obra infantil, além do não pagamento dos direitos aos trabalhadores, como férias, 13° salário, etc.

Antiga Usina Ariadnópolis, falida em 1996. Foto: Reprodução

A usina veio à falência em 1996, deixando os trabalhadores à mingua. Estes  não chegaram a ser indenizados na época pelos donos da empresa Por conta da situação de pobreza a que estavam submetidos, pelos altos custos cobrados pelos advogados, os trabalhadores acabaram desistindo de entrar na justiça contra seus patrões.

Sem dinheiro e em uma situação de abandono, a saída não poderia ter sido outra senão a ocupação da terra.

Trabalhadores ocupam a área e passam a produzir de forma diversificada

Desde então, cerca de 450 famílias, 2 mil pessoas, passaram a ocupar e a produzir na área. A organização dos trabalhadores possibilitou superar a monocultura imposta pelos latifundiários, ampliando a produção para diversos tipos de produtos e alimentos, como: como milho, feijão, cereais, hortaliças, frutas, fitoterápicos, leite e derivados.

Após a ocupação, trabalhadores passaram a produzir diversos tipos de alimentos. Foto: Reprodução

Os trabalhadores iniciaram também a produção de café, o chamado café Guaí, comercializado em vários municípios de Minas Gerais, inclusive internacionalmente.

Local onde funcionava a escola “Eduardo Galeano”, destruída pelo polícia de Minas. Foto: Geanini Hackbardt

 

 

 

 

No local foi também erguida uma escola. A escola Eduardo Gualeano (destruída pela PM), a qual tinha por função formar os jovens acampados, além de fornecer educação para os mais velhos, o chamado EJA.

O desenvolvimento do acampamento também ajudou a fomentar a economia do município de Campo do Meio, o qual havia sofrido um esvaziamento após a falência da usina de Ariadnópolis.

Empresários do agronegócio recebem apoio da justiça

Desde o início da ocupação, os trabalhadores sem-terra foram alvos de ameaças e chantagens por parte dos fazendeiros da região. A situação começou a se deteriorar em 2015 quando o empresário Jovanne de Souza Moreira, em acordo com o “barão do café”  João Faria da Silva, buscaram reativar a usina falida. Ambos passaram a pressionar a justiça à favor da reintegração de posse da área.

Juíz Walter Zwicker Esbaille Junior, aliado dos ruralistas. Foto: Robert Leal/TJMG

Os empresários ligados ao latifúndio e ao agronegócio tiveram a ajuda direta do juíz  Walter Zwicker Esbaille Junior, da Vara Agrária de Minas Gerais. Em novembro de 2018, o juíz esteve presente pessoalmente no acampamento, junto da polícia e da tropa de choque. O objetivo seria realizar uma “inspeção” da área. Ainda naquele ano, em novembro, durante a audiência de conciliação, o juíz agiu com total truculência contra os sem-terras, não permitindo a entrada dos agricultores na sala de audiência, utilizando da tropa de choque.

A audiência determinou o despejo das famílias, permitindo inclusive o uso da força policial. Tudo para beneficiar os empresários do agronegócio, os quais querem impor novamente a monocultura no local. De acordo com os agricultores, em fazendas com o mesmo porte da área ocupada, chegam a empregar 50 trabalhadores no máximo.

“Juíz da morte”: inimigo dos sem-terras

O juíz Walter Zwicker Esbaille Júnior também é responsável pelo processo  de Felisburgo. Localizado no Vale do Jequitinhonha, o acampamento Terra Prometida também possui um histórico de violência e luta pela terra.

Acampamento terra Prometida, Vale do Jequtinhonha. Foto: Reprodução

As terras que inicialmente pertenciam ao estado foram griladas e, posteriormente, foram ocupadas pelo MST no ano 2000. Em 2004 um massacre ocorreu no local. Os grileiros  Adriano Chafik e Calixto Luedy, organizaram um grupo de pistoleiros e invadiram o acampamento. O ataque resultou na morte de cinco sem-terras e no ferimento de outras 13 pessoas.

Desde então cerca de 200 pessoas continuam morando na área, resistindo contra os assédios dos latifundiários, que volta e meia vão até o local ameaçar os moradores.

Após a ação criminosa contra o Quilombo Campo Grande, os sem-terras do acampamento Terra Prometida temem a mesma ação por parte do estado, uma vez que o processo encontra nas mãos do mesmo juíz fascista e a qualquer momento uma decisão favorável à reintegração do posse pode gerar um novo massacre. A ligação do juíz Walter Zwicker Esbaille Júnior com os ruralistas, rendeu-lhe o apelido por parte dos sem-terras de “advogado da morte”.

É preciso destacar também o apoio incondicional à política de massacre contra os sem-terras concedido pelo governador do estado Romeu Zema. Uma das suas principais propagandas de campanha fora justamente o incentivo à violência contra o MST.

Organizar os comitês de auto-defesa

Diante desta situação é necessário organizar de maneira imediata a auto-defesa dos sem-terra contra a violência por parte dos jagunços, a mando dos fazendeiros, e da polícia.

O exemplo do Quilombo Campo Grande, onde a polícia chegou inclusive a destruir a escola que havia no local, demonstrou que a única saída é responder na mesma moeda às provocações.

É necessário impulsionar a formação dos comitês de auto-defesa em todos os acampamentos, além de mobilizar os trabalhadores para ocupar os latifúndios como uma reação à violência dos fazendeiros.

 

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