Ainda sobre censura a Trump
Editor da Revista Fórum segue atacando o PCO por causa das críticas incontestáveis à colaboração com os golpistas
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João Doria | Agência O Globo
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João Doria | Agência O Globo

Na última semana, Renato Rovai, editor da Revista Fórum, voltou a atacar covardemente o PCO. Dessa vez, sua fala se deu na TV 247, em debate com Leonardo Attuch. Apoiador declarado do genocida Joe Biden, recém-empossado como presidente dos Estados Unidos, Rovai procurou apresentar o partido do Fora Bolsonaro como um defensor da extrema-direita internacional.

Quando às acusações, não será o objetivo deste artigo debatê-las. São todas elas ridículas e desprovidas de qualquer prova. Afinal, chamar o PCO de “trumpista” não é uma discussão política, mas sim um expediente rasteiro e bolsonarista da pequena burguesia desesperada. É, ainda, uma falsificação — o que o próprio Rovai chamaria de “fake news”, hoje tipificado como crime graças à campanha da própria esquerda nacional.

Embora as acusações sejam infundadas, os ataques de Rovai deixaram uma coisa clara: sua indisposição com o PCO se deve ao fato de que o editor da Revista Fórum realmente acredita que o governo de Joe Biden será mais progressista que o de Donald Trump. Um dos momentos em que isso fica cristalino é quando comenta que Biden não irá reconhecer Juan Guaidó como presidente da Venezuela:

“Hoje o [Reginaldo] Nasser disse que não acredita que Biden vai reconhecer [Guaidó]. (…) Ele acha que isso não vai acontecer, que o Biden vai fazer um movimento em direção à Venezuela, talvez mantenha toda a pressão, mas não consegue imaginar como isso se daria dentro do Partido Democrata desse jeito. (…) Do ponto de vista democrático, isso não se sustenta, da democracia liberal”.

Considera Joe Biden como um liberal é uma verdadeira piada. Não é porque alguém está no Partido Democrata que deve ser considerado um liberal. Pelo contrário: os governos democratas têm sido a expressão da política oficial do imperialismo. O próprio Biden é um conservador e, como todo conservador norte-americano, é próximo da extrema-direita. O atual presidente norte-americano tem grande influência sobre o governo nazista da Ucrânia, que foi estabelecido após um golpe de Estado organizado pelo Partido Democrata.

Segundo Rovai, os “liberais” seriam adversários, enquanto os fascistas seriam inimigos. Puro sofismo: a política econômica dos governos de extrema-direita é neoliberal, e é a burguesia chamada erroneamente de liberal quem apoia o fascismo para garantir que a esquerda não chegue ao poder em uma situação de grave crise.

Toda a fala do editor da Revista Fórum acaba escancarando a vergonhosa posição da esquerda pequeno-burguesa em meio à polarização política: não só a histeria leva à falsificação e à calúnia, como aos mais bizarros surtos de ingenuidade política. Em determinado ponto, Rovai, atacando artigo do Diário Causa Operária, afirma:

“Além de tudo, fala que o Trump foi um pacifista. De maneira genérica, diz isso. Ignora, por exemplo, no fechamento do muro no México, as prisões de latino-americanos nas jaulas, separando pais de filhos, o ataque ao Irã, os ataques à Venezuela…”

Nada disso torna Trump especial. Pelo contrário: o próprio Joe Biden aprovou financiamento para a construção de um muro no México. No governo Obama, houve dezenas de manifestações contra sua política de imigração, muitas delas protagonizadas por crianças. Biden, por sua vez, esteve por trás da política de imigração do governo. As sanções contra o Irã também não são uma invenção de Trump, mas uma antiga reação da burguesia internacional contra a revolução no país persa. Por fim, foi o próprio governo Obama/Biden quem iniciou a ofensiva contra a Venezuela.

O imperialismo organizou milhares de conspirações em todo o mundo, e, em grande parte delas, a extrema-direita estava diretamente envolvida. Além da própria Ucrânia, merece destaque o Chile de Pinochet, um dos mais importantes laboratórios da política neoliberal.

O que a ingenuidade da esquerda mostra é que a pequena burguesia é incapaz de compreender quem são os seus inimigos políticos. E, portanto, ao invés de voltar-se contra eles, acaba saindo em sua mais fiel defesa, ao mesmo tempo em que é esfaqueada pelas costas. Essa mesma posição, no Brasil, está levando a esquerda pequeno-burguesa a um erro catastrófico: o apoio a João Doria (PSDB).

O princípio é o mesmo: Doria seria “liberal”, em oposição ao fascista Bolsonaro. Mas esquece Rovai e a esquerda pequeno-burguesa de conjunto que Doria foi um dos garotos propaganda do golpe de 2016, apoiou Bolsonaro nas eleições de 2018 e que seu governo é um dos mais repressivos já vistos em São Paulo.

 

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