Crise sem precedentes
Dados da crise econômica refletem uma devastação que já vinha se operando desde antes do coronavírus, impondo a necessidade de uma mudança que só pode vir com grandes mobilizações
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fila de desempregados em São Paulo
Desempregados no Vale do Anhangabaú. Burguesia não tem interesse em criar empregos | Foto: Arquivo/Causa Operária

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 700 mil trabalhadores ficaram desempregados no intervalo de apenas uma semana, compreendida entre a primeira quinzena de junho. O dado foi divulgado pela pesquisa Pnad Covid19, que acompanha a evolução da crise no mercado de trabalho e se desenvolve semanalmente. Ainda segundo o IBGE, a atualização dos dados aponta que ao menos 11,9 milhões de pessoas estão oficialmente desempregadas, com possibilidade de o número crescer em mais 1,1 milhão de trabalhadores, referente aos que estavam desocupados em função do isolamento social e que retornariam aos seus postos com a reabertura do comércio, ocorrida após a realização da pesquisa. Por fim, o Pnad Covid19 destaca que o número de pessoas sem ocupação e que tampouco estavam procurando emprego, os chamados “desalentados”, estão na casa dos 18,2 milhões.

Há que destacar o período em que se deu tamanha desagregação econômica. O número de novos desempregados chegou a 700 mil em apenas uma semana: uma coisa espantosa sob qualquer aspecto. Mas é preciso ainda considerar que o suposto isolamento social no Brasil é uma farsa. Nos melhores momentos, ainda sob o efeito do pânico pela chegada da pandemia no mês de março, os indicadores (sob os quais, é bom lembrar, nenhum controle social é exercido) apontaram uma média de 60% de isolamento. No entanto, esse número nunca mais foi atingido, um claro indicativo de que, apesar da campanha de terror, a economia brasileira não sofreu mudanças tão profundas, no que diz respeito à paralisia da classe trabalhadora, quanto a verificada na Europa e nos Estados Unidos. Ainda assim, mais de R$1,2 trilhão saíram dos cofres públicos para mitigar os efeitos da crise.

Muitas matérias publicadas por este Diário Causa Operária tratam do tema, mas não custa lembrar a discrepância entre a fortuna de R$1,2 trilhão destinados para manter os empregos e que ficaram retidos pelos grandes capitalistas, o que não gerou nenhuma crise política e tampouco matérias sobre esse verdadeiro roubo em larguíssima escala do erário público – o que não chega a ser exatamente uma novidade. A luta contra a corrupção, finalmente, sempre foi e continua sendo mero confusionismo criado pela máquina de propaganda da burguesia para colocar os verdadeiros corruptos em uma situação mais cômoda no poder. Contudo, a questão da corrupção acaba sendo menor no quadro amplo, no qual mesmo o coronavírus desponta como um detalhe.

Os dados sobre o desemprego acabam refletindo a destruição em escala inédita da economia nacional, que já se vinha desenhando desde o começo da década, tendo-se acentuado após o Golpe de 2016. Resultado natural da política econômica do golpe, a destruição da economia brasileira não afeta tanto os burgueses mas atinge os trabalhadores de maneira muito dramática, em outro claro indicativo concreto de que uma crise, com as proporções da depressão atual experimentada pelo capitalismo, acentua sobremaneira a luta de classes.

A melhora da economia, há que se ter clareza sobre isso, não é o interesse real da burguesia. Os grandes capitalistas querem tão-somente um situação cômoda para continuar roubando a classe trabalhadora sem produzir grandes solavancos políticos. O interesse real do crescimento econômico capaz de aumentar a demanda por empregos e superar o desemprego, a subocupação e também  a pobreza, são interesses exclusivos dos trabalhadores, os quais só podem ser impostos como prioridade da agenda política por meio de uma ampla mobilização popular, que reafirme os interesses reais da classe.

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