Crise do capitalismo
Muito mais do que pela pandemia, a crise econômica muindial no Brasil foi acentuada pelo golpe de Estado de 2016, que desde então tem liquidado a indústria nacional
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Galpão abandonado | Foto: Cassio Abreu
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Galpão abandonado | Foto: Cassio Abreu

A crescente desindustrialização que atravessa o país desde o início dos anos de 1980, com o início da política neoliberal no governo do FHC (PSDB), acentua-se desde 2015 com o golpe de estado contra o governo de Dilma Rousseff.

Os detalhes encontram-se, em parte, na matéria do jornal golpista O Estadão. Nela dizem que a saída da Ford do país evidencia esse processo. Que nos últimos seis anos consecutivos o número de indústrias vem caindo. Foram extintas mais de 36 mil fábricas entre 2015 e 2020, e só no ano passado foram 5,5 mil. Isso corresponde a 17 indústrias por dia.

Segundo levantamentos solicitados à Confederação Nacional de Consumo de Bens, e Serviços e Turismo (CNC) concluíram que, além do exposto acima, e apesar de que houve momentos de crescimento do número de fábricas, a participação do setor industrial em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) vem caindo. 

Em 2015 o país tinha 384,7 mil indústrias e no ano passado contávamos com 348,1 mil. Outras multinacionais que também deixaram o país, anteriormente à Ford, foram a Sony e a Mercedes Benz.

A desindustrialização tem início com o Plano Real, onde a valorização cambial favoreceu a importação em prejuízo das exportações, prejudicando o desenvolvimento interno. O parque industrial não se modernizou, a produtividade caiu recentemente e o “custo Brasil” elevado influenciam a desindustrialização.

A desvalorização recente do real favoreceu a exportação do setor do agronegócio e a balança comercial, mas isso não repercutiu de imediato para a indústria. Calcula que a participação da indústria no PIB seja o pior desde 1946, caindo para 11,2% em 2020.

Cruzando os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) com o Sistema de Contas Nacionais do IBGE concluem que para cada ponto percentual de crescimento da produção aumenta 1,2 mil novas unidades produtivas. E o mesmo para quedas na produção. Por isso não descartam a possibilidade de fortes fechamentos este ano.

Segundo os estudos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), fatores hostis e estruturais fazem com que a competitividade internacional do setor caia. Apontam o sistema tributário e a falta de política de inovação como fundamentais. E ainda que a queda do fluxo de comércio internacional obriga os países a ter melhor sistema de tributação. Hoje o desempenho da indústria está 11% abaixo do pico de 2011.

O vice-presidente da Fiesp e presidente da Abiplast, José Ricardo Roriz Coelho, diz que para melhorar o ambiente de negócios é necessário que o governo faça as reformas. As multinacionais operam com produção de escala, e como o país não cresce e a renda está estagnada há dez anos, os produtos não ficam acessíveis para a população e as empresas não desenvolvem.

Desde 2012 as grandes potências vem resgatando políticas industriais voltadas para o desenvolvimento de tecnologias avançadas. Mas o que vemos é a falta de inovação, inclusive na área médica, pois o problema da covid-19 ainda não foi equacionado.

Em 2008 houve o pico da participação da indústria no PIB em 1,1%, em 2016 foi 0,2% e em 2017 e 2018 foi 0,3% e com a saída da Ford deve piorar.

São duas as coisas a serem pensadas, a desindustrialização iniciada na era FHC (PSDB) e a queda da participação da indústria no PIB. A desindustrialização segue o modelo neoliberal que tem impactos diferentes para os países subdesenvolvidos como o Brasil, e é muito mais negativo. Temos que fechar nossas indústrias ou vendê-las para o imperialismo, e no caso das estatais o processo é de privatização a preços que interessam a eles.

A economia brasileira fica completamente dominada pelo capital estrangeiro imperialista. Sem autonomia alguma o Estado perde o controle sobre os preços e o desenvolvimento tecnológico cai vertiginosamente.

Vê-se claramente que o futuro destinado pelo imperialismo aos países atrasados é o de exportadores de matérias primas baratas e alimentos, mesmo que seja ao custo da fome, miséria e todo tipo de retrocesso cultural e social. Toda a economia fica nas mãos deles, e a renda também.

A queda da participação da indústria no PIB vem acontecendo desde muito tempo, e está relacionada à crise terminal do capitalismo. Ela acontece em praticamente todos os países. Como o sistema capitalista funciona a partir da indústria, a perda de participação dela no sistema indica o caminho para o fim da indústria, e com isso o próprio sistema capitalista.

Com a gigantesca crise iniciada desta vez em 2008, sem perspectivas de solução no horizonte, e agora piorada pela pandemia do coronavírus, está levando as economias ao fundo do poço em espiral descendente. Para conter o que puder da crise que atinge as economias centrais, retiram tudo que podem dos países em desenvolvimento, com golpes de Estado e colocando seus aliados políticos que não se importam em vender as riquezas do próprio país para os imperialistas, mesmo com a fome, miséria e morte da população.

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