Ainda sobre as estátuas
Artigo publicado pelo The New York Times tenta apresentar uma alternativa à luta de classes para os setores mais confusos da esquerda pequeno-burguesa
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Estátua de Leopoldo II pichada | Foto: Francois Lenoir/Reuters

O jornal The New York Times é um dos veículos mais poderosos da imprensa burguesa internacional. Financiado, sobretudo, pelos capitalistas norte-americanos, contribui sistematicamente para a propaganda da ideologia burguesa. No entanto, mais do que defender as falcatruas do regime capitalista, o jornal também é suficientemente cínico para tentar interferir na política da esquerda internacional, arrastando para uma política reacionária os setores mais confusos da esquerda pequeno-burguesa.

Um claro exemplo dessa operação é o artigo publicado no dia 27 de julho, intitulado “Colonialism made the modern World. Let’s remake it”. O texto foi traduzido por Isabela Palhares e publicado no portal Carta Maior, recebendo o título de “colonialismo fez o mundo moderno. Vamos refazê-lo”.

Segundo o artigo, o mundo precisaria passar por um processo de “descolonização cultural”:

“Enquanto mais colônias ganhavam independência, no entanto, a descolonização cultural se tornou mais significativa. A dominação política e econômica europeia coincidiu com o eurocentrismo que valorizava a civilização europeia como o ápice da conquista do homem. Tradições culturais indígenas e sistemas de conhecimento foram menosprezados tidos como ultrapassados e não civilizados. Os colonizados eram tratados como pessoas sem história”.

Em grande parte, tudo o que o autor diz é verdade: na história da humanidade, sempre houve explorados e exploradores, colonizados e colonizadores. E nada seria mais natural do que o fato de que os colonizadores, em sua luta para dominar os povos, esmagassem a cultura dos colonizados. Para um colonizador europeu, por exemplo, é muito mais favorável que os colonizados não falem uma língua que ele não domine, pois isso facilitaria a organização dos colonizados para resistir à opressão externa. Sem dúvida alguma, a opressão material, política e econômica, está diretamente ligada ao desenvolvimento da cultura.

Ora, mas se o que levou os dominadores a imporem sua cultura aos colonizados foi justamente um processo político e econômico, não adianta em nada inverter a ordem das coisas. Isto é, não adianta querer reformar a cultura para, assim, reformar as relações sociais. O capitalismo é hoje, o motivo de todo tipo de opressão no mundo e, enquanto não for derrubado, todo tipo de igualdade e opressão continuará.

Podemos comprovar o que dizemos a partir de trechos do próprio artigo:

“Na África do Sul, onde o reconhecimento com a persistência do regime colonial tomou conta da política nacional, reacenderam os últimos pedidos de descolonização em 2015 com o movimento #RhodesMustFall. Estudantes da Universidade da Cidade do Cabo atacaram a estátua do imperialista britânico Cecil Rhodes, mas viram sua remoção como somente o ato de abertura de uma luta ampla para pôr fim à supremacia branca. Com os slogans de “mais que uma estátua” e “descolonize a universidade”, estudantes pediram por transformações sociais e econômicas para desfazer hierarquias raciais que persistem na África do Sul pós-apartheid, junto com um currículo afro-centrado e ensino superior gratuito”.

A África do Sul permanece hoje como um país extremamente desigual e, economicamente, segregado do ponto de vista racial justamente porque não passou por uma revolução. A política de “frente ampla” conduzida por Nelson Mandela e seu partido acabaram por salvar os capitalistas brancos do país, e é justamente isso que permitiu que continuasse havendo a “supremacia branca”.

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