Teatro Leopoldo Fróes
Fechado há mais de 30 anos, teve uma grande efervescência cultural da década de 1980, mas suas instalações estavam sempre necessitando de reparo.
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O Corpo de Bombeiros controlou as chamas em cerca de 40 minutos. | Reprodução
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O Corpo de Bombeiros controlou as chamas em cerca de 40 minutos. | Reprodução

O Teatro Leopoldo Fróes, localizado na Praça da República, no Centro de Niterói-RJ, sofreu um incêndio na noite de terça-feira (09). O fogo atingiu o tapume de proteção na frente do prédio e não causou maiores danos. Fechado desde 1990 para apresentações artísticas, o teatro é mais uma vítima do descaso da política dos golpistas contra a cultura brasileira. O teatro recebeu centenas de eventos culturais nas quatro décadas de sua existência (1967 – 1990). Com grande efervescência cultural da década de 1980, suas instalações estavam sempre necessitando de reparo. Ao longo dos anos, o prédio sofreu com o descaso. Uma obra de grande porte nunca foi feita e as poucas realizadas foram insuficientes. Hoje, o espaço dá lugar a um brechó beneficente da Mitra Diocesana, que até o momento, não deu detalhes sobre as causas do incêndio e possíveis prejuízos.

Construído nos anos 1950 e inaugurado em 1967, inicialmente com o nome de Teatro Alvorada, através do arrendamento do Edifício Dom João da Matta, um centro social e assistencial da Mitra Arquidiocesana de Niterói. Após seu fechamento pela polícia política em 1972 e o fim do prazo de arrendamento, a Prefeitura arrendou o prédio, e em 1973, reformou e rebatizou-o como Teatro de Leopoldo Fróes, em homenagem ao teatrólogo natural de Niterói. O Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural, hoje extinto, foi o responsável pela reinauguração em 1973. O projeto, elaborado pelo Instituto, aproveitou parcialmente as instalações do Teatro Alvorada.

Na década de 1980 o teatro viveu anos de ouro, com grande papel para lançamento de estrelas da MPB. Em 1990, o teatro fecha para reformas e não mais reabre, tendo sua posse retornado à Mitra Arquidiocesana, no ano seguinte, após batalha judicial. Atualmente, no edifício funcionam algumas atividades ligadas a Mitra. Destaca-se que o teatro foi palco para grupos de teatro infantil, para ensaios de um teatro experimental, além de importante espaço de teatro escola, que evidencia a importância e o papel que o teatro teve para a cultura da cidade.

Foi nesse teatro que nomes da MPB se revelaram, como, Zélia Duncan, Almir Satter e Marcos Sabino. Outros tantos deslancharam sua carreira, como, Zizi Possi, Elba Ramalho, Jards Macalé e Pepeu Gomes. Lá também estiveram peças de teatro com atores renomados, com sucessos como Tudo bem no ano que vem, com Tarcisio Meira e Glória Menezes; Pato com Laranja, estrelado por Paulo Autran; e a primeira montagem de Blue Jeans.

A política criminosa dos golpistas contra a cultura é a responsável por este e outros incêndios ocorridos nos museus e teatros no Brasil. Muitos dos nossos maiores e mais importantes teatros se encontram fechados há anos. São inúmeros os casos de espaços artísticos sucateados pela política neoliberal, com seus programas de austeridade fiscal, burocracia e especulação imobiliária. Vale lembrar dos incêndios: Memorial da América Latina (2013) e Museu da Língua Portuguesa (2015), ambos de São Paulo (2015); o Museu Nacional, no Rio de Janeiro (2018) e o Museu de História Natural (2020) da UFMG.

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