Identitarismo seletivo
O que está por trás do silêncio coordenado diante do episódio racismo em campo que sofreu o melhor jogador do mundo?
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Neymar discute com Alvaro Gonzalez durante partida do Campeonato Francês
13/09/2020 REUTERS/Gonzalo Fuentes
Antirracismo só quando convém | Foto: Reprodução

Em jogo entre Paris Saint Germain e Olympique de Marseille, Neymar, o melhor jogador do mundo foi chamado de “macaco” por um jogador do time adversário Álvaro Gonzales, atleta que não por coincidência é simpatizante do partido Vox, de extrema-direita fascista da Espanha. Após o ocorrido, o craque brasileiro foi expulso por uma agressão pega pelo VAR e já cumpriu dois jogos de suspensão por não ter se calado diante do ataque racista que sofreu durante a pratida.

Para se defender as acusações, o clube do jogador admirador do partido fascista espanhol apoiou-se sobre a tese de que Neymar teria sido homofóbico e xenofóbico na partida, insultando o próprio Alberto Gonzales e outro jogador Chinês do time adversário. Imagens foram utilizadas pela defesa do Olympique.Nesta quarta-feira, a comissão disciplinar da Liga de Futebol Profissional da França (LFP) decidiu absolver os dois jogadores por entender que não “há provas convincentes”.

– Depois de examinar o caso, ouvir os jogadores e representantes dos clubes, a Comissão concluiu que não há provas convincentes que permitem estabelecer a materialidade dos fatos e declarações de natureza discriminatória por Álvaro González contra Neymar durante o jogo, nem de Neymar contra Álvaro González – diz o comunicado da comissão disciplinar, com sua conclusão sobre o caso.

É preciso destacar que o julgamento todo aconteceu sem grandes repercussões e grandes holofotes. Isso porque ficou óbvio o racismo, as próprias câmeras do jogo filmaram o momento, especialistas em leitura labial já admitiram que houve o insulto com tal palavra a Neymar, mono (macaco, em espanhol).

Se não houvesse a comprovação do racismo, iam fazer a maior propaganda do julgamento para execrar o jogador brasileiro em público e condená-lo por homofobia. Mas Neymar não é um caso interessante, digamos assim, para a imprensa burguesa que só dá destaque aos casos de preconceito que lhe interessa ou para controlar os casos de racismo explosivos, diante da insatisfação e possibilidade de revolta das massas.

A própria esquerda pequeno-burguesa acompanha isso, pois vimos toda a choradeira e negação de setores de classe média em defender Neymar do racismo, logo estes elementos tão preocupados com a luta identitária e defesa dos setores oprimidos da sociedade, utilizaram todos os tipos de desculpas possíveis para não defender o craque, como: ele não se considera negro, ele é milionário, ele sonega impostos, ele não dá bom dia pro porteiro, etc.

Finalmente, este posicionamento revela mais uma vez a completa falta de coerência dessa ideologia. A conduta da imprensa burguesa golpista, que apoia Jair Bolsonaro, o maior genocida de negros no Brasil, está alinhada com o identitarismo, impulsionado pelo próprio imperialismo, seguindo as orientações políticas deste.

Se é para defender o negro acima de qualquer coisa se defende, se for um representante da burguesia e do imperialismo, mais fácil, mas se for um jogador de futebol que representa todo um povo oprimido, talvez não.

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