aprender da derrota
Trabalhadores são traídos pelas direções sindicais que capitulam diante da decisão golpista do Tribunal Superior do Trabalho
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Protestos dos grevistas em Campinas | Foto: Arquivo DCO.

Os trabalhadores dos Correios e todo o povo brasileiro foram vitimas de um duro golpe nas últimas horas, por partes de alguns dos seus tradicionais inimigos e da traição daqueles que estão à frente de organizações que deveriam defender seus interesses.

Primeiro, como era previsível, os ministros  golpistas do TST (Tribunal Superior do Trabalho) votaram a favor do trabalho semi-escravo na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e da preparação da empresa para a “privatização” (verdadeira entrega) com a retirada de mais de 50 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho que vigorou até agosto passado e que foram produto de lutas de mais de três décadas, desde a reorganização do movimento sindical dos correios no final da ditadura militar.

Os trabalhadores não tinham nenhuma expectativa positiva em relação ao TST que já ajudou os governos golpistas de Bolsonaro e Temer a liquidarem com várias conquistas como no caso do plano de saúde da categoria, prova disso é que – depois de mais de um mês de greve – milhares de ecetistas rumaram em caravanas à Brasilia no dia do julgamento no TST para pressionar contra o golpe e, unidos, enfrentar a decisão com medidas de luta coletivas.

Se os trabalhadores acreditassem que o governo Bolsonaro, a direção da ECT e o TST fossem capazes de tomar decisões favoráveis aos trabalhadores nem faria sentido a greve, as caravanas o ato etc.

Foi justamente por não terem nenhuma crença nesses elementos e instituições do regime golpista é que milhares de trabalhadores em todo o País decidiram entrar em greve, depois de uma série de adiamentos promovidos pelas direções sindicais ue, justamente, procuraram alimentar a ilusão de que seria possível achar uma saída para os problemas da categoria por meio de uma “articulação” no congresso nacional, do entendimento com a direção golpista da ECT, com o governo genocida de Bolsonaro e com o tribunal de carrascos dos trabalhadores, o TST.

A greve mostrou que na maioria dos sindicatos da categoria, a compreensão e disposição de luta dos trabalhadores estava muito acima da vontade das direções sindicais e da esquerda em geral que fechou os sindicatos durante a pandemia abandonando os trabalhadores à própria sorte, o que foi ainda mais evidente no caso dos correios, onde dezenas de milhares de trabalhadores continuaram trabalhando “normalmente”, se aglomerando, se infectando etc. enquanto os sindicalistas faziam quarentena, mostrando que não estão nem aí para os trabalhadores.

Se nada podiam esperam do governo e do TST, muitos trabalhadores ainda podiam ter a expectativa ou a ilusão de que os sindicalistas agiram em sua defesa, ainda mais quando conquistas de décadas estavam ameaçados e a própria existência da ECT enquanto empresa pública, diante da vontade declarada do presidente ilegítimo e de todos os golpistas de que a mesma seja entregue para os tubarões capitalistas, com medidas de duro ataque aos trabalhadores como a demissão de 40 mil funcionários, cortes de benefícios.

Muitos setores da burocracia sindical já haviam dado mostras de que estão totalmente comprometidos com os inimigos dos trabalhadores, se recusando – há anos – inúmeras atividades de sabotagem da luta dos trabalhadores e se recusando a organizar qualquer mobilização, como é o caso das diretorias dos sindicatos dos trabalhadores dos correios (Sintect’s) de São Paulo e do Rio de Janeiro e de sua “federação fantasma”, criada justamente para dividir a luta dos trabalhadores, pelo PCdoB e seus aliados do MDB e de outros setores ligados aos partidos patronais. No entanto, na atual campanha, como nas anteriores, ao invés de chamar a lutar contra essa burocracia, a quase totalidade dos sindicalistas passaram a fazer campanha a favor de uma suposta unidade com os tradicionais traidores da luta da categoria.

E o que eles fizeram? Como de costume, mais uma vez traíram toda a mobilização do princípio ao fim. Se recusaram a realizar assembleias de verdade, ou seja, presenciais, e se mantiveram afastados do ecetistas que faziam a greve, mostrando claramente que estavam contra a mobilização e que iriam traí-la. Sabotaram as caravanas para Brasília e, no final, fraudaram até mesmo as assembleia virtuais (nas quais foram derrotados) para decretar ditatorialmente que o Sindicato era a favor do fim da greve.

Obviamente, não basta responsabilizar apenas esses traidores, que apunhalam a categoria, como fizeram várias outras vezes. O problema está na luta contra esses setores que foi levada adiante apenas e tão somente pela própria base da categoria e, de forma consciente e organizada, por uma parcela minoritária do ativismo classista organizado na corrente Ecetistas em Luta (PCO e simpatizantes) e por uma minoria de dirigentes sindicais, que buscaram impulsionar uma greve radicalizada, realizar atos e atividades que levassem a uma superação da direção alega dos Sintect’s de SP e RJ, que tomaram a iniciativa de convocar e mobilizar – de verdade – para o ato nacional em Brasília etc.

O golpe do TST e do governo contra os trabalhadores, foi seguido da traição dos sindicalistas pelegos do PCdoB e da capitulação vergonhosa da direção da Fentect (dominada pelo “Bando dos Quatro”:  direita do PT, PSTU, PSOL e diretores do Sintect-MG) que endossaram a traição e ainda emitiram um comunicado em que afirma que “a greve foi vitoriosa”, o que não ocorreu em qualquer sentido e orientaram os sindicatos a voltares ao trabalho, depois que milhares de ecetistas votaram indo à Brasília pelo enfrentamento da decisão do TST.

É preciso debater esse balanço para tirar as lições necessárias para as próximas lutas da categoria que, por certo virão, contra a escravidão na ECt e contra sua privatização., para as quais é necessário construir uma nova direção combativa e classista.

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