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Depois de mais de cinco meses na ilegalidade, a peça “O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu” teve, enfim, sua apresentação autorizada pelo judiciário paulista. Depois de estrear com sucesso no Sesc Pinheiros, o que atraiu a atenção das patrulhas fascistoides, foi ajuizada uma ação contra o SESC – instituição na qual a peça seria exibida – que resultou em sua proibição sumária sob pretextos estritamente religiosos e pseudo-moralistas.

Além do inegável caráter controlador, que busca submeter obras artísticas à prévia autorização dos parcos “intelectuais da direita”, a decisão do juiz Luiz Antônio de Campos Junior foi feita sob a égide da mesma doença que aflige Sérgio Moro: a síndrome da execução precoce, na qual juízes, agindo politicamente, reescrevem o direito processual autorizando medidas liminares e cautelares absolutamente inconstitucionais.

O caso é mais um reflexo da onda direitista que vem ganhando fôlego no país desde a turbulência política que culminou no golpe de Estado contra Dilma Rousseff e em suas sucessivas revisitas, que, desde a última semana, aproximaram o país de uma ditadura militar às claras.

A católica fundamentalista de Jundiaí responsável pela ação, Virginia Bossonaro, consagrou seu rosto ao escuso papel outrora desempenhado pelos intelectualmente limitados censores da ditadura militar. Papel análogo é desempenhado pelos inomináveis policiais militares que, em manifestações em diversos locais do país, tentam impedir a distribuição de jornais de esquerda e silenciam com bombas e cassetetes as reivindicações e os atos populares.

Evidentemente, dada a tenebrosa conjuntura atual, o Tribunal de Justiça de São Paulo, ao reformar a ridícula decisão de primeiro grau, não expia nem remotamente a culpa do judiciário ao sustentar o geme do sistema de exceção que, com celeridade, fagocita o que sobrou do país.

Deste fato a princípio pouco significativo, pode-se apreender a lição absoluta de que não existe “meia-censura”. Quem, como alguns aloprados da esquerda pequeno-burguesa, legitima o Estado como ceifador competente para retirar dos campos o joio cultural, isto é, aquilo que pode ser considerado duvidoso em relação ao gosto, dá fôlego à classe dominante para impor sua ideologia reacionária como única forma legal de pensamento.

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