As mortes do isolamento
Não há por parte do estado burguês nenhuma intenção de desprender esforços ou recursos para evitar as mortes do coronavírus ou a morte das mulheres por violência doméstica.
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Mulher em isolamento social. | Foto: Reprodução

Após a imposição do isolamento social como unica medida tomada até então contra o novo coronavírus, houve um crescimento alarmante dos casos de violência domestica, só São Paulo registrou aumente de mais de 40%. Em mais uma demagogia com as mulheres os governos burgueses propuseram como medida contra esse aumento ampliar os canais de denuncia de forma virtual, sem no entanto apresentar nenhuma medida concreta de proteção para as mulheres que sofrem violência. O resultado é que o número de denuncias disparou mais de 100%, e enquanto as denuncias crescem as mulheres agredidas continuam desamparadas.

A sequencia de crescimentos relacionados à violência doméstica e o crescimento desenfreado das mortes por coronavírus se entrelaçam para demonstrar as consequências desastrosas da política neoliberal que é adotada pelos governos de direita tanto no combate ao novo coronavírus como na proteção das mulheres vítimas de violência doméstica. Desde que teve inicio a epidemia de novo coronavírus no Brasil a unica medida de combate ao vírus foi o isolamento social; como medida isolada o isolamento tem fracassado em diversos aspectos.

O isolamento social desacompanhado de outras medidas de proteção e combate ao coronavírus, ou seja, sem testagem em massa da população, sem distribuição de máscaras, álcool em gel ou remédios, sem contratação de profissionais da saúde, sem compra ou produção de equipamentos hospitalares suficiente, sem construção de hospitais, etc, não tem servido para combater a pandemia, tanto que no país já são mais de 30 mil mortos, colocando o Brasil entre os casos mais críticos da doença.

Além de vir desacompanhado de medidas diretas contra o vírus, o isolamento também vem desacompanhado de qualquer outra coisa. Não há nenhuma iniciativa capaz de garantir devidamente que o isolamento seja viável do ponto de vista social para a maioria esmagadora da população, que se muito têm recebeu R$600 reais nos últimos três meses.

É aqui que se coloca a questão da violência doméstica. O imposição do isolamento social não considerou e continua não considerando a situação de mulheres que são agredidas dentro de casa, o que já era esperado que aumentasse com o isolamento e poderia ter sido evitado. Em não tendo sido evitado, com o registro do aumento dos casos as medidas deveriam ter começado a serem tomadas no intuito de efetivamente proteger estas mulheres, mas tudo que tem sido feito pelo governo é receber as denuncias.

O que está colocado, é preciso ter claro é que nunca houve por parte da burguesia que comanda o governo nenhuma intenção de desprender esforços ou recursos para evitar as mortes do coronavírus ou a morte das mulheres por violência doméstica, estes esforços e recursos estão sendo empregados para salvar a própria burguesia em meio à crise. Isto fica bastante evidente quando milhares de pessoas estão morrendo e os governantes se limitam a coagir as pessoas a ficarem em casa ou quando os feminicídios crescem durante o isolamento e os mesmos governantes se limitam a dizer que as mulheres podem denunciar as agressões pela internet.

As mulheres, que já sofrem normalmente em consequência das mazelas do capitalismo, têm sofrido mais ainda nos mais variados aspectos com a intensificação da crise causada pelo coronavírus, estando entre as mais atingidas pelo desemprego, pela pobreza, as que mais perdem direitos trabalhistas, e por aí vai, a violência doméstica, o feminicídio sãos mais alguns aspectos deste mesmo fenômeno. É preciso muito mais que registrar denuncias de agressões, é preciso garantir os meios para que as mulheres se libertem das amarras domésticas, em princípio proporcionando que as mulheres e seus filhos sejam acolhidas em locais longe dos agressores, com uma renda para não depender financeiramente dos seus companheiros, com emprego e demais necessidades atendidas.

No entanto, como ficou demonstrado, as mulheres não são uma preocupação para o Estado burguês, logo, todas as suas reivindicações só vão ser atingidas travando uma luta real para sua própria defesa e para garantia de suas necessidades, o que implica na mobilização das mulheres, para se organizarem em torno disso, desde a autodefesa contra as agressões até obrigar o estado a lhes dar o que precisam para viver com dignidade. Tendo sempre claro que a burguesia não lhes dá nada, tudo que representa uma vitória real para as mulheres até hoje foi conseguido através da luta política, e que ainda assim correm o risco de ver tudo isso se esfacelar pelas mãos dos capitalistas, pelo que devem finalmente lutar junto com a classe trabalhadora pelo fim do capitalismo por um estado socialista.

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