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FIFA sob suspeita
Denúncias colocam sob suspeita eleição de melhor jogador do mundo
Logo após a entrega do prêmio de melhor jogador do mundo para Messi, denúncias envolvendo a Federação Nicaraguense e a Egípcia colocam em suspeição o processo de votação da FIFA
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FIFA sob suspeita
Denúncias colocam sob suspeita eleição de melhor jogador do mundo
Logo após a entrega do prêmio de melhor jogador do mundo para Messi, denúncias envolvendo a Federação Nicaraguense e a Egípcia colocam em suspeição o processo de votação da FIFA
Gianni Infantino, presidente da FIFA, parabeniza Lionel Messi (Foto: EPA)
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Gianni Infantino, presidente da FIFA, parabeniza Lionel Messi (Foto: EPA)

Lionel Messi ganhou recentemente o prêmio “FIFA The Best” de melhor jogador do mundo da temporada 2018/19, o sexto do jogador argentino/espanhol. No entanto, nos dias seguintes à premiação, algumas denúncias de fraude no sistema de votação da FIFA vieram à tona e levantaram a questão acerca dos reais critérios que governam a escolha do melhor jogador do mundo.

A primeira denúncia foi feita pelo capitão da seleção nicaraguense, Juan Ramón Barrera Pérez, que pelo Twittter afirmou não ter participado da votação. “Não votei nos prêmios The Best 2019. Qualquer informação sobre meu voto é falsa. Obrigado”, postou o jogador. A FIFA, porém, diante do fato, tratou de divulgar um documento no qual consta o voto com a suposta assinatura do jogador e o carimbo da Federação Nicaraguense.

Outro caso, digamos, “estranho” foi o descarte dos votos dos membros da Federação Egípcia. Para justificar tal medida, a FIFA alegou que os formulário de votação enviados pela federação apresentavam assinaturas “em maiúsculas” que “não pareciam autênticas”. Além disso, esses formulários, ainda segundo a FIFA, “não foram assinados pelo secretário-geral, o que é obrigatório”.

Oficialmente, como se sabe, o melhor jogador do mundo pela FIFA é escolhido a partir de uma votação dividida. Todos os técnicos das seleções nacionais filiadas à FIFA votam e têm o peso de 25% no resultado final. O mesmo vale para os capitães das seleções, que representam outros 25% do geral. Jornalistas de cada país, selecionados pela FIFA, contabilizam outros 25%. Os 25% restantes são decorrentes de votação popular pela internet.

O sistema geral de votação, tal como vigora atualmente, já em si levanta as mais sérias suspeitas. Quais os critérios para a escolha dos jornalistas de cada país? Em geral, os jornalistas selecionados são sempre aqueles que trabalham para o cartel da imprensa de direita. Neste ano, Martin Fernandez, do SporTV e do globoesporte.com, ambos pertencentes à Globo, foi o escolhido para votar. Em outros anos, o posto era de Paulo Vinícius Coelho, o PVC, do canal Fox Sports. O narrador Cléber Machado, outra figura da Globo, também já foi o representante da imprensa brasileira em anos anteriores. Nem é preciso dizer que, além da flagrante arbitrariedade dessa escolha, tais elementos são funcionários de organizações que possuem interesses econômicos, políticos e culturais bastante determinados, e que, ao contrário de representarem a imprensa brasileira, representam, isso sim, a imprensa do capital, sobretudo do capital estrangeiro.

A dita “votação popular” pela internet é outro truque dos mais frágeis. Quem bota a mão no fogo por uma votação pela internet a cargo da FIFA, uma verdadeira caixa-preta, sem o mínimo controle do próprio povo?

Agora, com as informações e denúncias mais recentes, o mencionado sistema de votação fica em xeque naquele que era, até agora, o seu pilar mais sólido, a saber, os profissionais do futebol, formado pelos capitães e treinadores das seleções.

A suspeição da votação torna-se mesmo uma possibilidade bastante plausível, e provável, quando refletimos sobre a entidade que a organiza. Envolvida numa série de escândalos e falcatruas, a FIFA é antes de tudo uma instituição atravessada até medula por poderosos interesses econômicos e políticos. Gestora do esporte mais popular do planeta, que movimenta bilhões de dólares todos os anos, a FIFA está completamente imersa no mundo dos negócios e possui relações estreitas com os grandes tubarões capitalistas, em especial os europeus, que buscam lucrar com o futebol.

Nesse sentido, o prêmio da FIFA, antes de ser um iniciativa puramente esportiva, é na verdade um ato de caráter fortemente econômico e político. Trata-se de uma peça de propaganda do futebol europeu, feita e dominada pelos europeus, para o benefício dos europeus, ou melhor, dos clubes e grandes empresas monopolistas europeus. Consiste em mais um instrumento para manter o domínio europeu sobre o futebol, em detrimento dos países dos atrasados que têm no futebol um de seus mais fortes elementos culturais.