Denunciar o racista Fernando Holiday não é racismo

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No último sábado, a direitista VEJA publicou uma artigo em defesa do vereador paulistano Fernando Holiday, do DEM. O site direitista tenta, no texto, explicar como Holiday não é racista, mas quem o chama assim é.

“Lugar de fala”

O portal inicia a matéria dando um argumento muito utilizado pela esquerda pequeno-burguesa: “Holiday é negro”. Este argumento é defendido por vários setores da classe média esquerdista, tendo Djamila Ribeiro, acadêmica e militante do movimento negro, como um de seus principais defensores.

Este argumento, no texto em defesa do vereador do MBL, afirma que uma “esquerda branca” não tem legitimidade para acusar Fernando Holiday de racista, visto que o vereador é negro e a esquerda, branca. Esta negação da luta de classes, que simplificadas relações sociais em  questões puramente raciais, de gêneros etc. não é uma concepção apenas da direita desonesta e inimiga da classe trabalhadora, mas foi encampada por vários setores da esquerda brasileira, tal como PSol, Djamila Ribeiro e outros elementos.

A teoria do lugar de fala, segundo a VEJA, funciona da seguinte maneira: um nazista, que ataca negros, mulheres e judeus, não pode ser chamado de tal se ele tiver raízes judias e quem o chama desta maneira que seria o nazista de verdade. Apesar de infantil e, principalmente, explicada nestes termos, idiota, esta concepção serve para acuar e deslegitimar as críticas a um elemento, além de “legitimar” que grupos racistas, tal como o MBL, não o são apenas por ter membros negros, como Fernando Holiday.

“Relativização”

No artigo, o outro argumento em defesa do vereador racista é de que criticam as opiniões de Holiday por ele ser negro; segundo o portal, Holiday “cometeu o delito de falar coisas proibidas para alguém como ele”, como se os posicionamentos contra o povo negro pudessem ser aceitos, dependendo apenas de quem o defende.

A luta política não se trata meramente de pontos de vistas e opiniões que “dependem”; ela busca influenciar e mudar a realidade, logo um posicionamento não é relativo, mas tem uma função concreta dentro disso. Apoiar a derrubada de Dilma, como setores da esquerda – PSTU, PSol etc. – fizeram, por mais que digam ser em “defesa da classe trabalhadora” não altera a realidade de que eles colaboraram com a confusão em torno da luta contra o golpe e ajudaram a instituir no governo o imperialismo norte-americano.

Neste sentido, as posições anticotas, em defesa da PM, máquina de matar negros no Brasil, a favor do fascismo etc. de Fernando Holiday servem a propósitos puramente racistas e não tratam-se apenas de “opiniões” inocentes, mas de uma política antinegro.

A defesa de Holiday é a deslegitimação do movimento negro

Como a realidade e os efeitos de uma ação sobre ela não são relativos, defender Holiday por ele ser negro é uma tentativa de ataque ao próprio movimento negro. O racismo deve ser radicalmente combatido por todos os meios necessários, principalmente vindo de membros de grupos fascistas, como o de Holiday.

Esta é uma discussão que causa também confusão na própria esquerda pequeno-burguesa que, por falta de métodos e concepções concretas, cai na crença criada pelo imperialismo norte-americano de que o mais importante na luta é o chamado identitarismo, onde o lugar de fala substitui a luta de classes e inimigos da esquerda, como Holiday, acabam virando aliados por decorrência desta concepção distorcida.