Luta do povo negro
Legisladores Democratas pedem ao secretário de Saúde dos EUA os dados do coronavírus em relação aos negros, de acordo com eles os negros estão à deriva.
Mayoral candidate Lori Lightfoot speaks during her election night celebration after defeating her challenger Toni Preckwinkle in a runoff election in Chicago, Illinois, U.S., April 2, 2019.  REUTERS/Joshua Lott
Lori Lightfoot (Democrata) prefeita de Chicago. Foto Joshua Lott/Reuters |

Na sexta-feira (27), uma carta enviada ao secretário de Saúde e Serviços Humanos Alex Azar, a senadora Elizabeth Warren e a deputada Ayanna Pressley, ambas de Massachusetts, cobram os dados referentes a pessoas testadas e tratadas em ralação ao coronavírus para população negra nos Estados Unidos. Segundo os legisladores Democratas faltam informações para monitorar e resolver problemas com a doença no estados onde a maioria é negra.

No ultimo fim de semana, cidades com grandes populações negras surgiram como novos pontos para a disseminação do vírus, como por exemplo Chicago, Detroit, Milwaukee e Nova Orleans. Segundo o Fox 11 News, na sexta-feira, o Departamento de Serviços de Saúde de Wisconsin informou que cerca de metade das mortes e do total de casos ocorreu em Milwaukee, uma cidade de 600.000 habitantes que é mais de um terço dos negros. Todas as oito pessoas que morreram de coronavírus no Condado de Milwaukee eram negras, e sete delas moravam na cidade.

Na carta para o secretário Azar, os legisladores Democratas pontuam condições crônicas de saúde e econômicas nas comunidades mais vulneráveis que mostram as dificuldades e desigualdade entre brancos e negros no país norte-americano. Constam também a falta de plano de saúde e dificuldade aos hospitais para os pretos, pardos e imigrantes deixando-os sem acesso a profissionais de saúde de qualidade e sem testes para o vírus.

“Qualquer tentativa de conter o COVID-19 nos Estados Unidos terá que abordar seu potencial alastramento em comunidades de cor de baixa renda, principalmente para proteger a vida das pessoas nessas comunidades, mas também para retardar a propagação do vírus. o país como um todo ”, escreveram os parlamentares a Azar. “A gravidade desta doença na comunidade afro-americana é uma crise dentro de uma crise”, disse sexta-feira o governador do Wisconsin, Tony Evers, democrata – Fox 11 News.

Nesta terça-feira (31) os casos de coronavírus passaram de 803 mil e mais de 40 mil mortos em todo o mundo. Nos Estados Unidos são 160 mil confirmados e 3.393 mortes e os números continuam subindo. Apesar de Nova York ser o centro da crise, o vírus está se espalhando rapidamente para outras regiões do país.  No Brasil são 201 mortos e mais de 5.717 contaminados e todo dia aumentam. Atualmente São Paulo é o lugar mais crítico do país. Vale lembrar que estes são dados do governo, no caso brasileiro onde falta testes para grande parte da população, os números podem ser muito maiores.

No Brasil a situação dos negros não é diferente dos negros nos EUA, na verdade ela pode ser muito pior, pois a população negra brasileira é muito maior e a disparidade social consequentemente também é. No brasil quase 30 milhões de habitantes não possuem saneamento básico, quase 7 milhões não tem água potável, moram em lugar de extrema vulnerabilidade nas favelas e periferias, e adivinha, em sua maioria são os negros. A maior parte não tem como cumprir quarentena, além de ter que trabalhar, moram em mais de um no mesmo cômodo da casa.

Diante da situação, que se apresenta como uma verdadeira catástrofe para as populações mais pobres e marginalizadas do continente, é necessário que a luta se desenvolva dentro das comunidades e bairros contra os governos racistas de extrema direita que além de não dar a mínima para essa população negra, não oferece nenhuma ação efetiva que dê condições de sobrevivência para eles.

Relacionadas