Censura nas redes
A esquerda confusa quer combater a direita censurando e controlando as redes sociais
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Brexit | Imagem: reprodução
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Brexit | Imagem: reprodução

No artigo Do Brexit a Bolsonaro: como as redes sociais corrompem as democracias, publicado no jornalGGN, assinado Cintia Alves  é apresentado a noção comum a esquerda atual de que as redes sociais precisam ser controladas, uma vez que a “ liberdade” tem favorecido o crescimento do “ ódio” e da política da ” direita populista”.

A visão de que movimentos da extrema direita ou populista se utiliza do acesso das redes sociais para furar o bloqueio dos grupos tradicionais da direita, e portanto seria algo negativo, é uma concepção equivocada que não atenta para os fatores econômicos e políticos que promovem o colapso dos regimes democratizantes e seus partidos conservadores tradicionais.

Na matéria é citada o depoimento da repórter Carole Cadwlladr  do jornal The Observer, que informa sobre a manipulação do resultado do referendo do Brexit, uma cidade ao sul do País de Gales, onde a maioria, 62% da população local, votou para sair da União Europeia.

Para a repórter o voto a favor do Brexit foi decidido por uma campanha “ obscura das redes sociais”, pois a realidade era manipulada e “Os moradores já não observavam a realidade a sua volta, apenas reproduziam o discurso-slogan que receberam no celular.

“O referendo ocorreu na escuridão, porque ocorreu no Facebook. E o que acontece no Facebook, fica no Facebook. Nós só vemos a nossa página, o nosso feed, e depois tudo aquilo desaparece. É impossível pesquisar depois. Não temos ideia do que as pessoas viram, por quais anúncios elas foram impactadas. Que informações foram usadas para atingi-las, ou quanto dinheiro foi gasto”, comentou Carole.

Esse exemplo da vitória da saída do Reino Unido da União Europeia na votação do Brexit indica a confusão da esquerda, que não consegue se contrapor ao regime nem constituir uma campanha política de mobilização popular em torno de uma alternativa. Nas eleições parlamentares recentes, o candidato trabalhista Jeremy Corbyn sofreu uma derrota acapachante devido a completa ambiguidade diante do Brext.

Além do mais, a vitória do Brexit não foi simplesmente pelo uso das redes sociais pelos grupos contrários a integração regional, mas relaciona-se com a crise econômica e pela falta de alternativa representada tanto pelo Partido Conservador quanto pelo Partido Trabalhista, que se expressou nas ruas e nas redes sociais no Brexit.

As redes democratizam a informação e, portanto, têm um lado muito positivo, pois ameaça o monopólio restrito das TVs, rádios e jornais burgueses. Mas, como tudo no capitalismo, as redes sociais, não são um espaço neutro, mas também foram dominadas pelo imperialismo, portanto tem um aspecto contraditório.

Neste sentido, a denúncia da esquerda é que os monopólios precisam acabar e, portanto, defender a liberdade total e irrestrita de expressão. È preciso democratizar o acesso às informações, e garantir a liberdade de expressão e organização.

A defesa de controle sobre as redes, ou mesmo atacar as redes, pois elas expressam opiniões que não concordamos, significa um verdadeiro tiro no pé. O estabelecimento de censura prévia e impedir que opiniões diversas possam se manifestar somente reforça um regime de opressão, e os próprios setores autoritários, o que temos que fazer é lutar contra o controle dos monopólios, e não reforçar os controles.

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