A “democracia” dos militares: torturar, matar e esconder os corpos

O general Augusto Heleno, ex-ditador no Haiti durante os primeiros anos da ocupação do país pela ONU, vem se destacando no cenário político nacional como um porta voz não oficial das Forças Armadas. Suas posições, manifestadas na Imprensa capitalista são sempre abjetas, violentas e absurdas, mas expressam os verdadeiros interesses do Alto Comando das Forças Armadas.

Recentemente o General aconselhou que o ditador e seus subordinados, na ocupação militar do Rio de Janeiro, tivessem a mesma flexibilidade que ele tivera no Haiti, ou seja, que pudessem executar qualquer pessoa sem represália, como fazia no Haiti. O Comandante do Exército brasileiro, General Villas Bôas também expressou a mesma opinião pouco depois ao sugerir que o exército possa atuar sem o risco que se crie uma nova comissão da verdade.

Nesta semana, uma vez mais, o general Heleno foi a imprensa capitalista para fazer política em defesa de uma nova ditadura militar, o que revela que os militares estão próximos de intervir no país inteiro. Em entrevista para o abominável site o Antagonista, o general, dentre outras, proferiu uma frase lapidar. O ex-ditador no Haiti disse um dos maiores absurdos, pouco antes vistos na história dos absurdos já ditos neste país pelos capachos do imperialismo. Segundo o General de quatro estrelas “As Forças Armadas são as instituições mais democráticas do país”.

A frase é um absurdo em todos os sentidos e em grande medida uma provocação.  As Forças Armadas não são instituições democráticas, pelo contrário, por sua própria natureza repressiva são sempre profundamente antidemocráticas, ditatoriais, uma ditadura dos oficiais contra os soldados e em determinados momentos da instituição contra o povo, as Forças Armadas são sempre uma ameaça que paira sobre todos, uma espécie de poder moderador da burguesia contra o povo, caso a dominação por via parlamentar entre em crise total.

Todavia, do ponto de vista histórico, o povo brasileiro já sentiu na pele, por pelo menos 21 anos, os efeitos desta maravilhosa “democracia” das Forças Armadas, durante a ditadura militar iniciada em 1964. Mas o que essa “democracia” das Forças Armadas pode oferecer ao povo hoje? .

Nada além do que ofereceu durante o regime militar, ou seja, corrupção, perseguição política a toda a esquerda e aos trabalhadores, tortura, assassinatos etc. O que as Forças Armadas fizeram durante a ditadura pode ser resumido em torturar, matar esconder os corpos, tudo para proteger os interesses do imperialismo.e da burguesia nacional. Mas, sendo assim  como o general afirma que as Forças Armadas são as mais democráticas? Talvez o general Heleno seja de fato um filósofo e tenha dado um novo conteúdo ao conceito de democracia, conceito que incluiria agora as práticas das Forças Armadas no poder, como as já citadas, o que transformaria em sinônimos os termos democracia e ditadura, regime de direitos e regime de terror, o que seria uma filosofia bastante peculiar. Enfim é uma hipótese, uma outra, mais provável é o cinismo típico de quem quer justificar o estabelecimento de uma nova ditadura. O general é um cínico, um defensor da ditadura contra o povo.

Em 1964 um das justificativas para o estabelecimento de uma ditadura feroz foi a defesa da democracia contra o comunismo, hoje é possível que os militares estabeleceram uma ditadura, cuja justificativa seja a suposta defesa da democracia contra a corrupção e os “bandidos”, em defesa do cidadão de bem. As Forças Armadas, instituições mais “democráticas”, segundo o general, poderiam salvaguardar a moral e os bons costumes dos homens de bem, que são os capitalistas, logicamente, por meio da tortura, do assassinato e da destruição dos direitos de todo o povo trabalhador, que são na litologia política da direita os “bandidos”.