Demagogia e repressão não resolvem a violência contra a mulher
Protesto pelo fim da violência contra as mulheres
Demagogia e repressão não resolvem a violência contra a mulher
Protesto pelo fim da violência contra as mulheres

Desde o início do ano, a Câmara dos Deputados têm recebido diversos projetos que visam o fim da violência contra a mulher. Até o início de julho, pelo menos 145 iniciativas foram protocoladas na casa. De repente, parece que todas as bancadas, incluindo os golpistas e a extrema-direita estão convergindo com a esquerda sobre essa temática. Direita e esquerda unidas contra a violência que atinge as mulheres, mas será que a direita está tão preocupada assim com a mulheres?

Tanto a Lei Maria da Penha, vigente há mais de 12 anos, quanto a Lei do Feminicídio não impediram que o número de violência contra a mulher negra e indígena, por exemplo, dobrasse em relação à mulher branca. No período de 2006 a 2016, a taxa de homicídios contra mulheres brancas caiu em 8%, enquanto a taxa de homicídios contra mulheres negras cresceu em 15%. Ou seja, nenhum desses dispositivos policialescos e punitivistas foram suficientes para proteger as mulheres, principalmente as pobres e negras.

Não devemos cair na conversa da direita de que estão ao lado das mulheres trabalhadoras. Somente em 2018, pelo menos 482 mulheres no campo foram vítimas de violência, o principal motivo são conflitos agrários, registrando assim um aumento de 377% comparado a 2017. Será que a bancada ruralista, assassina, golpista e de direita está mesmo preocupada com a vida das mulheres ou só quer surfar na onda das discussões identitárias a fim de ganhar eleitores? Ingênua é a esquerda pequeno-burguesa que cai nesse papo.

Diversos partidos que se dizem a favor dos projetos que criminalizam a violência contra a mulher, como o DEM, votaram a favor da Reforma da Previdência, como se essa reforma não fosse uma completa violência na vida das mulheres trabalhadoras, que serão as mais atingidas em relação a tempo de contribuição, por exemplo. Para se aposentarem, trabalhadoras urbanas terão de trabalhar dois anos a mais, enquanto as do campo, cinco anos a mais.

O discurso demagógico da esquerda pequena-burguesa em coro com a direita não vai resolver o problema da mulher, afinal, todas essas violências que as mulheres sofrem são respaldadas pelo capitalismo, que se sustenta à base do recrudescimento da exploração e opressão de gênero. Se o aumento de leis e repressão resolvessem de fato o problema da mulher, não teríamos números tão alarmantes.

O que a direita quer é criar dispositivos que se virem contra a população mais pobre e negra, que não possui infraestrutura, nem educação de qualidade, nada do que o Estado deveria garantir. Homens ricos nunca serão pegos nessas leis, pois não foram feitas para eles e mesmo as mulheres ricas possuem menos chances de sofrerem violência, já que a questão financeira também pesa muito.

A discussão tem que ir à raiz do problema, ou seja, pelo fim da exploração capitalista. Pelo fim desse modelo econômico que aprisiona as mulheres em jornadas duplas, em trabalhos mal remunerados e que ao longo dos anos foi aperfeiçoando os dispositivos de repressão, colocando a população, e principalmente as mulheres trabalhadoras, em posição de completa vulnerabilidade.